Do começo ao fim

Assisti a esse filme de Aluísio Abranches, concluído em 2009, no Canal Brasil. Ele aborda temática ousada: dois meio-irmãos que desenvolvem vínculo homo-erótico de teor amoroso. A ousadia se detém no tema. Daí por diante, há excessiva idealização: extrema compreensão de todos (quando muito, o pai de um dos meninos, depois rapazes, demonstra preocupação, nunca preconceito ou rejeição). Os meninos/rapazes são bonitos, viris, tratam bem as mulheres, são jovens de altíssima classe média, roçando no que se chamava burguesia antigamente. Cenários naturais e edificados são deslumbrantes, com cenas de mar dignas de comerciais. Os diálogos e as reações do outro pai e da mãe de ambos são compreensivos, formais, de salão, sem tensões.

É bom que filmes abordem relações homo-eróticas sob o signo do amor. É complicado agir como se ninguém desse a mínima contra a felicidade deles e sem acompanhar o processo de seu desabrochar.

De qualquer maneira, ainda bem que o cinema brasileiro sobrevive, nem que os resultados fiquem aquém do possível. E ainda bem que o Canal Brasil (mais um ou outro similar) divulga esses resultados.

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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