Do comentário

Caro Mário, minha resposta pode ensejar um assunto mais complexo do que a mera resposta de minha preferência pelos 80 anos residindo na capital ou os 90 no interior, acerca do post anterior do qual você comentou (no blog do DNOnline). Há os que defendem e vibram com os avanços tecnológicos e a comodidade – inegável – advinda deles. Há ainda aqueles completamente contaminados pela atmosfera urbana e que sequer consegue respirar o ar manso e o cotidiano lento do interior.

Nem sei em qual situação me enquadraria. Talvez até nos dois, a depender do tempo em que ficaria numa cidadezinha do interior. Mas o gostaria de discutir é algo mais relacionado à metafísica das coisas. E isso passa, inclusive, pela minha teoria a favor do socialismo real. Tudo parte do seguinte pressuposto: nós gostamos da tecnologia porque conhecemos, vemos e usamos. E se nada nos fosse apresentado? Lembro que adorava assistir televisão mesmo sem controle remoto.

Claro que é difícil expulsar todas as vontades e desejos impregnados em nossa mente. É dificílimo imaginar uma vida sem controle remoto ou outra parafernalha eletrônica. Sem celular ou internet seria impossível, estimo. Embora sejam acessórios já presentes no dito interior.

Em suma, o que quero dizer, Mário, é que nada disso nos seria sedutor se não soubéssemos deles. É mais ou menos o que Platão quer explicar com o mito da caverna. O que vejo muito são falsos esquerdistas pregando o socialismo sem conseguir desprender-se do excedente. Então, a vida no interior, sem trânsito, estresse, menos saudável, sem pressa, seria um algo mais se não fôssemos tragados por essas ofertas capitais.

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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