Do improviso de Helmut

Enquanto degustava bela cerveja na companhia de bons amigos no Bar de Nazaré, em um sábado de Beco, eis que o folclórico Helmut chega de súbito e me mostra anotações em um papel de guardanapo. Era uma poesia. Pediu dois reais por ela: Ei-la: “O destino se prepara com arma de adultério./ É esse seu “caltério”,/ Para as chagas que são como secas bagas”. Entrevistei Helmut há uns três anos para uma matéria sobre um famoso crime em que uma família de prestígio na cidade morreu envenenada em casa ainda hoje erguida na rua Gonçalves Ledo, no Centro. Coisa da metade do século passado. Depois de tanto tempo, achei Helmut mais velho. Carregava quatro DVDs piratas de clássicos do cinema. Ele entende de cinema como poucos na província. Enxergo nele uma figura perfumada pela loucura dos sábios marginais. Bateu certa inveja.

Comments

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  1. Adriana Amorim 6 de Agosto de 2008 19:14

    Quem diria que aquele ‘velho morimbundo’ fosse um ser tão interessante, heim, Vilar? Num país onde o comum é o medíocre, fico sempre muito admirada quando encontro personagens como Helmut.

    😉 E Santa Rita ou Pipa ou qualquer coisa que tenha praia, vai rolar ou num vai rolar este fds?

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