Do peso da existência

Se minha presença diminuiu por aqui não é em função do período festivo ou de férias. É que meu pai está enfermo no leito de um hospital. Lembro de uma frase de Neruda: também “estou cansado de ser homem”, de ser gente. A existência pesa, amigo leitor. Por vezes sinto-me mais velho que meu velho pai. Esqueço o vigor da juventude para mergulhar em reflexões e justificativas para tantos pedregulhos no caminho da vida. Os livros – amigos fiéis – não morrem.

A vida é uma benção de Deus. É sim. Mas há os acasos – as linhas tortas de Deus. E se mais das vezes eles surgem para quebrar a monotonia dos dias, também armam surpresas que mancham de cinza as cores fortes do crepúsculo – instante mágico do dia. A fé costuma rir disso tudo. Olha de cima os acontecimentos recheados de acasos e bem sabe quais os propósitos para tantas tristezas. Guarda para si as razões para que as crenças se fortaleçam. e é na minha fé que posso reafirmar: a vida é um arroubo de ilusão.

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