Documentos coloniais são trazidos para o Brasil

Por Yuri Assis
UFPE

Trinta e três mil documentos sobre a Capitania de Pernambuco, do ano de 1590 ao de 1825, catalogados em três volumes, 350 rolos de microfilmes, 25 CDs e mais de 20 mil verbetes-resumos. É este o acervo, oriundo do Arquivo Histórico Ultramarino (AHU) em Portugal, trazido pelo Projeto Resgate Barão do Rio Branco/Capitania de Pernambuco. Coordenada pela diretora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) da UFPE, professora Maria do Socorro Ferraz, a iniciativa faz parte de um projeto nacional, com coordenação geral do embaixador Vladimir Murtinho e coordenação técnica da investigadora Esther Bertoletti, que visa a armazenar em suporte durável documentos relativos à história do Brasil disponíveis em arquivos europeus e norte-americanos. “Os microfilmes duram em torno de 300 anos e são de fácil manuseio, o que os torna um meio eficaz para a preservação destas peças”, declarou a diretora.

Junto às professoras paleógrafas Virgínia Almoêdo e Vera Costa Acioli e a uma equipe de arquivistas da UFPE, Socorro Ferraz ficou responsável pela microfilmagem de documentos importantes ligados a fatos históricos pernambucanos. Dentre eles, encontram-se cartas régias, editais, provisões, documentos notariais – autos, certidões, correspondências –, conferências de carga de navio, passaportes, além de documentos opinativos sobre a guerra holandesa e a Revolução Republicana de 1817 e registros referentes à penetração e ocupação do Sertão de Pernambuco.

Com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), durante dez anos, de 1997 a 2007, a equipe pernambucana realizou o projeto em etapas, começando pela identificação e arranjo cronológico de todos os itens. “Essa parte requereu uma atenção especial porque muitos dos documentos pernambucanos estavam misturados a escrituras que tratavam de assuntos de outras capitanias, sobretudo as mais próximas, como Alagoas, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba”, revelou Socorro Ferraz.

Após essa fase, veio a indexação de 33 mil unidades documentais que divergiam quanto ao número e ao tipo, culminando na elaboração de verbetes analíticos em ordem temporal – dentro das normas internacionais da Arquivística e da Diplomática – e de acordo com padrões do AHU. À informatização dos verbetes, seguiu-se a feitura dos três catálogos e de um banco de dados para facilitar acesso ao arquivo. No volume intitulado “Fontes Repatriadas”, é possível encontrar notas adicionais, como também as referências de cada documento e informações sobre a metodologia do trabalho efetuado, comentários sobre a história colonial e índices temático, onomástico e topográfico.

ACRÉSCIMO – O Projeto Resgate Barão do Rio Branco possibilitou o traslado de cópias da terceira maior documentação do país, a de Pernambuco. Agora, o resultado pode ser conferido no Laboratório de Pesquisa Histórica (LAPEH), no 10º andar do Centro de Filosofia e Ciências Humanas, no Departamento de História.

Para acondicionar os materiais corretamente, foi adquirido um cofre específico para a guarda de microfilmes, que além de protegê-los de altas temperaturas, é resistente a impactos e outros acidentes. A nova aquisição chegou através de edital proposto pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (Propesq).

A pesquisa ocorreu em função de um acordo bilateral instituído por Portugal e Brasil em 2000, na comemoração dos 500 anos de descoberta da nação verde-amarela. Neste pacto, ambos os países foram autorizados a copiar documentos portugueses e brasileiros para levá-los aos arquivos de seus respectivos países. “Nosso projeto não objetivou apenas acrescentar material para os pesquisadores, mas sobretudo apresentar a todos os que se interessam pela história colonial do Brasil informações relevantes”, afirmou a diretora do CFCH.

Mais informações
Professora Maria do Socorro Ferraz – Diretora do CFCH
(81) 2126.8260
slinsferraz@uol.com.br

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