Dois espetáculos


T.C

Gosto da mistura de linguagens e gêneros artísticos.  Dois espetáculos que assisti recentemente, um na semana passada, “Larvárias”, e outro, ontem, “Essa febre que não passa”, vão nessa direção. Ambos na Casa da Ribeira.

O primeiro, Larvárias,  é bem ousado e tive dificuldades em apreender o que assisti, fui salvo por vídeo exibido no final, explicando a montagem. São dois atores no palco, com máscaras, se comunicando prescindindo da linguagem oral. Dividem o palco e interagem com uma bola gigante, que tanto pode ser um útero imenso quanto um planeta ou uma casa. A linguagem corporal domina o palco.

De vez em quando é bom ver esse tipo de espetáculo para o qual nos faltam  referências e conhecimentos para compreendê-lo. Embora pressintamos que estamos diante de uma obra onde a arte está presente, mas não da forma como estamos acostumados a desfrutá-la.

Vejo esse estranhamento como algo positivo e instigante e que oferece novas possibilidades de crescimento intelectual.

Ontem vi  “Essa febre que não passa”, que continua em cartaz até hoje, sábado, 20 horas. Faça de tudo pra ir porque é muito boa.

O espetáculo, do grupo pernambucano Coletivo Angu de Teatro, é baseado nos contos da jornalista e escritora pernambucana Luce Pereira.

É um trabalho literário e discursivo, mas não teria como ser diferente, claro, visto ser baseado em contos. Mas isso não altera a qualidade do espetáculo teatral, que me seduziu.

Encantou-me no conjunto: cenografia, luz, música, as atrizes (só tem mulheres no palco), a forma como os contos foram teatralizados… Acho que a direção foi muito feliz em harmonizar todos esses aspectos.

Durante um pouco mais de uma hora são encenados cinco contos do livro de Luce Pereira. Retratam o universo feminino em variados contextos e tempos, onde estão presentes sentimentos universais como perdas, o amor, família, ciúme, a passagem inexorável do tempo, a relação amorosa…

Procurando uma foto para este post cheguei ao link abaixo, com fotos e um texto inspirado sobre a montagem:

aqui

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