Dois livros fundamentais sobre cultura popular do RN que você pode ler de graça

Dossiê 1: Culturas Populares em Movência.
O Dossiê Culturas Populares em Movência é dedicado ao Mestre Tião Oleiro – Sebastião João da Rocha, 100 anos de vida, morador na zona rural do município de Ceará Mirim – RN, criador, brincante e responsável pelo grupo Congos de Guerra.

A ideia central da proposta desse Dossiê, a de procurar destacar, no campo da reflexão sobre as culturas populares, a dimensão da dinâmica, do movimento. Da movência, como bem frisou o pensador Paul Zumthor. Ao enfocar a dimensão da movência nas culturas populares, estamos querendo compreender os diferentes processos sociais vividos pelos grupos populares nas sociedades contemporaneas: as tramas, os conflitos e as relações de poder constituídos; as táticas e as estratégias das produções simbólicas culturais tecidas pelos diferentes atores sociais. Esse complexo processo, nos leva a perguntar sobre as relações constituidas com a memória e a tradição; em que medida os diálogos e a movência da cultura nutre-as; como o duplo movimento de conter e resistir se situa em práticas concretas das culturas populares.

Para pensar estas questões, os artigos abordam práticas diversas, como o reisado da comunidade de Pedro II (Piauí) e os bois de reis de São Mateus (Espírito Santo) e Manaus (Amazonas). Outras manifestações são visitadas, como o maracatu pernambucano e cearense, e, o forró eletrônico potiguar.

Dossiê 2: Narrativas e Materialidades em formas expressivas das culturas populares.
O Dossiê Narrativas e materialidades em formas expressivas das culturas populares é dedicado ao Mestre José Targino Filho, 88 anos de vida, morador na cidade potiguar de Lagoa Salgada. Uma vida dedicada ao teatro de bonecos – a brincadeira do João Redondo, como ele prefere fazer referência à atividade, criador de bonecos, personagens e de muitas histórias.

Mestre José Targino, em sua arte de narrar e dar forma (e porque não dizer vida?) aos bonecos, foi também uma de nossas inspirações para pensar as culturas populares contemporâneas, em especial, a reflexão sobre as culturas materiais e artefatos produzidos no âmbito de diferentes culturas, notadamente a partir de uma reflexão conceitual que pensa os objetos, como todas as coisas dotadas de valor e significado cultural, como investidos de vida e, portanto, portadores de sentido e agência. Esta forma de pensar é, de certo modo, um caminho para compreender a dinâmica da vida social e cultural. A perspectiva de pensar a vida atravessando coisas – processos, em permanente formação, fluxos, trânsitos, circulação, movência, mas também relações, expectativas, devires, é o fio que conduz as reflexões dos textos que compõem o presente Dossiê.

Entre os trabalhos que compõem o Dossiê: um estudo etnográfico sobre o significado da indumentária nas folias de reis, da cidade de Vassouras (RJ); A expressividade e materialidade do sagrado, centrado no cosmos dos ex-votos da procissão do Círio de Nossa Senhora de Nazaré em Belém do Pará; os desenhos e pinturas de Dorival Caymmi para pensar o cancioneiro visual de uma Bahia negra; as cartas que os devotos escrevem para o padre Cícero do Juazeiro do Norte-CE; as vozes que perpassam a cozinha de santo nos terreiros de Campina Grande (PB); os aspectos simbólicos e performáticos nas práticas das rezas de olhado e quebrante, realizadas por rezadeiras e rezadores da Paraíba; os deslocamentos do mito de São Jorge na religiosidade católica portuguesa e entre arquiteturas e liturgias nos terreiros de umbanda em João Pessoa (PB).

Revista Cronos é uma publicação do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFRN.

A Revista pode ser acessada através do site:
Dossiê 1: http://www.periodicos.ufrn.br/cronos
Dossiê 2 : http://www.periodicos.ufrn.br/cronos/issue/view/481

Organizador: Luiz Assunção

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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