Dois Sonetos de Jarbas Martins

Por Jarbas Martins

CANHOTEIRO

para meu irmão Jairo, torcedor do São Paulo Futebol Clube, e admira- dor de Canhoteiro

Em um primeiro tempo ele driblou Coroatá, uma trave e o campo ausente, driblou o Maranhão, berço insolente, de revolto lençol que o atirou

num minifúndio de inocência e grama. Belzebu, seu grão-mestre, o adestrou no azucrinado ritmo de um Tambor de Mina. E maestro o fez do próprio drama.

Tirou o time. Em São Paulo um templo erigiu o farsante ao seu não senso. Fazia coisas do Tinhoso. (Exemplo:

driblava nos limites de um lenço). Driblou seu obscuro nome e a glória, ignorou as leis, o mercado e a história

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UM SONETO EM PRETO & BRANCO

para meu irmão Jamilson, desportista por destinação

Driblava por driblar impunemente como quem dança, brinca, bebe e caça. Um interiorano. Trouxe da sua praça a mania infantil de ser contente.

A estrela solitária e pendente, bem mais que seu emblema, era uma farsa. Às vezes era o cúmplice do vento pra alegria do diabo- grão comparsa.

Jogava certo com sua vida torta, afeito ao ledo engano e ao desconcerto de um drible, sua arte preciosa,

e driblaria qualquer frincha ou porta, o além, o intransponível, o encoberto. Não a vida- sua amante caprichosa.

Jarbas Martins (do livro inédito DE MANO A MANO)

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Nina Rizzi 1 de abril de 2010 22:26

    Jarbas, gostei mais do Jamílson, porque nessa vida a gente pode ter qualquer defeito, mas ser sãopaulino é de torar, camarada… rsrs

    beijo.

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