Dos ratos, baratas e formigas

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Minha mulher tem mania de limpeza. O tempo que tem para descansar ela descarrega no serviço doméstico. Nessa brincadeira, tudo incomoda, inclusive os bichinhos que a gente praticamente não vê. Gosto de ficar olhando as formigas que, a meu ver, prestam-me um grande serviço. Qualquer migalha comível que caia no chão, as minúsculas limpam com uma rapidez assustadora. O problema é que, como o ser humano, as formigas também são dominantes e, se minha mulher não cuida, elas tomam a nossa sala. Por isso, nunca pensei em dar nomes as minhas formigas para não sofrer sua ausência.

Há duas semanas, quase morro. Um grito terrível ecoou da sala em direção ao quarto. Horror. Minha mulher tinha visto um rato. Demorou para que eu o visse de tão pequeno, mas sim, era um rato. Moramos num bairro em formação, porquanto, vez ou outra, quando iniciam uma construção num terreno vazio só se escuta na rua os gritos de pavor das senhoras. O rato era um desses pobres retirantes que, por azar, foi passar em nossa sala.

Astuto e talvez experimentado de tanto se livrar das vassouradas, o roedor escapou pelas brechas, cruzou o raque e caiu no meu quintal que um dia se será um lindo jardim com horta e tudo. Escondeu-se nas brechas da parede do muro e, provavelmente, tenha ido visitar a vizinha porque não voltou. Noutro dia, chego em casa e noto pequenos elementos coloridos nos cantos da parede. Suspeito e confirmo com minha senhora que se tratava de veneno para rato, segundo ela, porque pensou ter visto o pequeno animal cruzar o mesmo percurso. Eu disse que não o vi, mas ela tinha certeza.

A verdade é que começaram a construir outro condomínio próximo de casa e as vizinhas voltaram a gritar. No meu quintal, eu também notei alguns serviços feitos por algum tipo de profissional especializado em extermínio. Encontrei as sobras de uma barata entre os depósitos do lixo e suspeitei que o rato tivesse sido o seu predador. Isso, para mim, foi um grande serviço e, portanto, não tive coragem de cometer ingratidão.

Realmente eu não voltei a ver o rato, mas ao pensar que ele pode estar protegendo a minha casa de insetos como as baratas, senti um imenso desejo de também protegê-lo, pelo menos até minha mulher encontrá-lo.

Filho de Apodi/RN é Jornalista, assessor de imprensa e eventos do Instituto do Cérebro da UFRN. Membro do coletivo independente Repórter de Rua, articulista no Jornal de Fato (www.defato.com) e organizador da Revista Cruviana (www.revistacruviana.blogspot.com).rinas & Urubus (www.aspirinasurubus.blogspot.com). [ Ver todos os artigos ]

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Anchieta Rolim 24 de Agosto de 2012 19:33

    Massa J. Paiva. Vivemos entre homens, ratos, baratas, moscas e etc…

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