Dos talentos potiguares

Li o conto de Alexis, do qual comentei no post passado. Está publicado no blog de Tácito Costa (Substantivo Plural, link ao lado). Uma maravilha. Antes, até pensei em mais um bom texto escrito por potiguares e merecedor de prêmio. Mas o estilo de escrita é peculiar e chama a atenção; se distingue dos demais.

Alexis entra pra um time já formado de bons contistas. Levino tem até livro lançado. Muitíssimo bom, também. As crônicas e contos de Fialho também não devem a ninguém. Alex de Souza gosta de esconder o jogo, mas talvez seja o melhor contista entre eles. Um garoto de 14 anos, Pedro Lucas é uma promessa em tanto. Tem o Patrício Jr, também.

Assisti entrevista essa semana com Nei Leandro, pela TV Assembléia. Questionado dos valores literários deste Rio Grande de Poti, o escritor preferiu ressaltar a poesia. Aliás, as poetas! E citou Ada Lima, Iracema Macedo, Marize de Castro… Woden lembro Diva Cunha. Temos ainda Adriano de Souza, Plínio Sanderson e uma penca de outros poetas. Para citar os mais novos. Isso afora os poetas populares e cordelistas, sobretudo os de Mossoró e Assu.

Mas reparem, amigo leitor: falta um grande romancista. E nessa incluo a velha guarda. Pablo Capistrano – o qual julgo dos maiores intelectuais do estado, mesmo com pouca idade – tem dois livros publicados. Mas não são romances. Passeiam pelo realismo fantástico, a filosofia e talz. Não é romance. Dunas Vermelhas e Pelejas de Ojuara, também não. François Silvestre escreveu dois excelentes livros. A Pátria Não é Ninguém foi dos melhores que já li. Mas há pitadas não-ficcionais. Isso é notório.

O que mais se publica neste RN – que teima em se achar uma figura de elefante e não uma formiga de roça – são livros de memórias, biografias ou fruto de pesquisas. Eu mesmo tenho continuado meu livro sobre a história da Redinha. E ao longo da história sempre foi assim. Alguém me salve do engano. Mas só pra lembrar alguns: o próprio Cascudo; Oswaldo Lamartine; Jorge Fernandes; Berilo Wanderley; Vicente Serejo; Sanderson Negreiros; Auta de Souza, João da Rua, seu colunista Carlão e por aí vai.

O que lastimo é que essa galera nova tem potencial pra escrever um romance. As editoras estão aí: Sebo Vermelho, Flor do Sal, Jovens Escribas e outras. Não que o romance seja um gênero maior. Seria desprezar a crônica de que tanto aprecio. Mas é uma lacuna na literatura potiguar a ser preenchida.

Comments

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  1. Anonymous 27 de Junho de 2008 14:56

    Sérgio Villar, não tenho nada contra você, meu amigo!Mas haja provincianismo, haja bairrismo, haja panelinhas e novas panelinhas nesse meio jornalísticozinho, literáriozinho de Natal.

    Adriano Souza

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