drops pós-literário

A história é aquilo de que estamos em vias de diferir, aquilo que nos dissipa em prol do outro que somos. Não vou monumentalizar os corpos que viveram e se expressaram antes de mim, porque não posso tocar monolitos sem sentir frio; do mesmo modo, não pretendo virar um monumento, um grande escritor do passado. Almejo, pretensiosa e arrogantemente, ser esquecido junto ao meu tempo, abandonado nas ruínas deste século. Sou um escritor menor, e já não pretendo nada senão a vulgaridade com que poemo, a efemeridade de minhas catástrofes. A história da literatura dita de vanguarda está marcada por monumentos que antes de tornar-se monumentos intentaram destruir os monumentos que lhe precediam – poetas-processo rasgando o livro dos ícones da literatura de seu tempo para depois costurar seus próprios livros que, de acordo com a progressão, seriam rasgados por um poeta que sou eu. Já não me interessa este jogo.

Deserto a imortalidade.

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