Drummond

Enviado via e-mail por Fernando Monteiro:

“Não faças versos sobre acontecimentos. Não há criação nem morte perante a poesia. Diante dela, a vida é um sol estático, não aquece nem ilumina. As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam. Não faças poesia com o corpo, esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica. Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro são indiferentes. Nem me reveles teus sentimentos, que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem. O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.” CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

Comentários

Há 9 comentários para esta postagem
  1. Dinarte Assunção 2 de maio de 2011 15:47

    Esses poetas que se prestam a replicar os outros não têm um mínimo de criatividade. Sequer merecem ser lidos. Perdi três minutos de minha vida que jamais recuperarei.

  2. Rilke Vieira 2 de maio de 2011 15:35

    Prezado Monteiro, todos acima entenderam muito bem o que você, via Drummond, quis dizer. mas preferem sofismar, relativizar, alimentar ilusões, o que é pedagogicamente terrível para a poesia. não foi a primeira vez que se chamou a atenção aqui para questões como essa que você levanta. mas, não adianta. dado o caráter democrático do blog não há saída, até já sugeri aqui limitar o número de poemas por dia e autor, mas fui severamente repreendido. essa limitação faz sentido porque os maus poetas são os mais prolíficos, tanto na net quanto fora dela, por razões óbvias. nem o aedes aegypti detém essa fúria de publicar “poemas”. o misericordioso tenha pena de nós!

  3. Tácito Costa 2 de maio de 2011 14:41

    DE FERNANDO MONTEIRO (POR ENGANO FOI PARAR EM POSTS):

    Errata: “…que LHES vem na telha”.
    Adendo: Não sou dos que admiram fervoramente o Carlos Drummond de Andrade. Pra começo de conversa, prefiro o seu conterrâneo Emílio Moura (para ficar no território poético de Minas).
    Já disse e repito: o maior poeta da língua (depois de Camões na base do idioma), para mim, não é Fernando Pessoa, João Cabral ou Drummond, mas sim o JORGE DE LIMA de “Invenção de Orfeu”, weltanshäaung que não se encontra em nenhum dos poetas acima citados. Muito menos na multidão de poetas menores chamados Ferreira Gullar, Lêdo Ivo, Manoel de Barros (??) e quejandos. Aliás, no momento só temos “quejandos” na atual poesia brasileira presente na mídia etc. Ausente dela, temos alguns nomes bem interessantes, porém ainda muito longe da conformação de uma obra poética de estatura maior.

  4. Jota Mombaça 2 de maio de 2011 14:35

    um artista da fome passeando com chernobyl sob os tênis. dane-se a poesia! estamos sedentos de vida!

  5. Fernando Monteiro 2 de maio de 2011 13:17

    Concordo, Jarbas (e Anne, François e Marcos), porém, lembro-lhes que é uma “contradição” só aparente: Druumond queria dizer que os temas [humanos, sempre humanos] não poderiam chegar sem a TRANSFIGURAÇÃO poética, digamos, até o leitor. Caso os “sentimentos” e todo o resto chegassem — conforme está chegando, através de tantos poemas ruins na Internet acima de tudo — direto, “inocentemente” expressos como desabafo, bilhete, grito, gemido, cotovelada, chute no saco e o escambáu, não, não seria poesia, jamais.
    É assim que eu entendo o que o poeta de Itabira escreveu, longamente, no “Procura da poesia” (citei apenas o fragmento final, visando os jovens internetianos escrevendo sobre qualquer coisa que lhe vem na telha etc). Para mim, não há contradição, e “Procura do poema” é mais do que nunca — conforme diria o horrendo Faustão — ATUAL.

  6. Marcos Silva 2 de maio de 2011 10:56

    Ha algumas semanas enviei esse mesmo poema de Drummond comentando um post.
    Se Drummond fosse um escriba burocrático, os “conselhos” deveriam ser seguidos burocraticmente – não faça isso e aquilo, não faço isso e aquilo.
    Drummond é poeta, dos bons. O que ele diz é poesia – universo do possível. Não há contradição. Há poesia.

  7. françois silvestre 2 de maio de 2011 9:48

    “Itabira é apenas uma fotografia na parede”. Isso é “sentimento” ou “distanciamento”? Viva Drummond! Viva a incoerência!

  8. Anne Guimarães 2 de maio de 2011 8:59

    Tirou as palavras da minha boca, mestre Jarbas.
    Logo Drummond… poeta dos mais emotivos que já li no mundo.
    E não vou nem citar os famosos versos de Pessoa, nem precisa!
    Salve Drummond e toda a sua graça…
    🙂

  9. Jarbas Martins 1 de maio de 2011 23:18

    Paradoxalmente, meu caro Fernando, Drummond escreveu, em sua longa e substancial obra, sobre todos os temas que ele fingidamente proibiu, neste poema, aos seus leitores.

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