Duas promessas para 2011

Das duas promessas para 2011, que tem relação com o SP, uma cumpri integralmente até agora, a de comprar apenas um livro por mês. Chega de ficar comprando e encostando sem previsão de leitura. A outra, não acessar internet à noite, cumpri em parte, algumas noites eu não resisto e dou uma rápida olhada, principalmente para checar se tem algum post ou coment para liberar.

Como já passo o dia inteiro na net quero reservar a noite para outras coisas, principalmente filmes e livros. Então, vocês agora ficam sabendo, posts e coments à noite correm o risco de ficar para o dia seguinte.

O primeiro livro do ano que comprei foi “68 Contos de Raymond Carver”, importante contista americano que eu não conhecia. Li trechos da apresentação do escritor Rodrigo Lacerda, ainda na livraria, e decidi comprar. Leio salteado, comecei pelos primeiros contos do autor, li os três que abrem o livro, achei legais dois e um meio fraco, então pulei para os que foram escritos em épocas mais recentes.

Já li oito dos 68 contos. Literatura de qualidade, não há o que discutir. Mas o meu negócio mesmo é romance e poesia. Comentei isso ontem à noite com um amigo, por mais bem acabado que seja o conto fico com a sensação de que a história não está completa. Não é que eu vá deixar ou ler menos contos, nada disso, só estou explicitando uma preferência pessoal, continuarei lendo, mas como fiz até hoje, me bandeando mais para o romance e a poesia.

Entre os contos que já li tem um, “Compartimento”, que dialogou diretamente com o filme que assisti no meio da semana e que falei em post anterior, “As Cerejeiras em Flor”. Eu acho massa quando isso ocorre e, aliás, eu queria escrever sobre isso e fiz uma volta danada até chegar ao ponto.

Ambos tratam de relações entre pais e filhos – um tema por demais recorrente tanto no cinema quanto na literatura – mais especificamente da ingratidão dos filhos com relação aos pais. No filme, os filhos encaram os pais como fardos pesados e rejeitam assumir qualquer responsabilidade por eles. No conto, o pai cruza a Europa para visitar um filho com quem não tem contato algum havia oito anos. Uma troca de socos entre os dois, depois de uma discussão com a esposa selou a ruptura. Ele partiu e o rapaz ficou morando com a mãe.

O filme aponta uma saída para o desconforto filial, não vou contar para não estragar o prazer de quem ainda não assistiu. No conto, o encontro, afinal, não acontece. Nos dois casos, resta a solidão, que, de uma forma ou de outra, é o final que nos espera a todos.

PS.

Uma coincidência danada, fui no Google atrás de uma foto de Carver, cliquei em uma lá e veio abrir justamente no SP, post de julho do ano passado, com link remetendo para poesias escritas pelo escritor, quem ainda não leu estão aqui

TC

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. augusto lula 24 de janeiro de 2011 18:02

    O mundo ainda não se resume somente a internet. Ainda existem textos em papel e filmes no cinema e no DVD e conversas não virtuais. Bom você dizer o que está lendo e vendo e conversando. Também tenho uma pilha de coisas pra ler, escrever, conversar etc. É hora de lembrar Mallarmé:

    A carne é triste, sim, e eu li todos os livros.
    Fugir! Fugir! Sinto que os pássaros são livres,
    Ébrios de se entregar à espuma e aos céus imensos.
    Nada, nem os jardins dentro do olhar suspensos,
    Impede o coração de submergir no mar
    Ó noites! nem a luz deserta a iluminar
    Este papel vazio com seu branco anseio,
    Nem a jovem mulher que preme o filho ao seio.
    Eu partirei! Vapor a balouçar nas vagas,
    Ergue âncora em prol das mais estranhas plagas!

    Um Tédio, desolado por cruéis silêncios,
    Ainda crê no derradeiro adeus dos lenços!
    E é possível que os mastros, entre as ondas más,
    Rompam-se ao vento sobre os náufragos, sem mas-
    Tros, sem mastros, nem ilhas férteis, a vogar…
    Mas, ó meu peito, ouve a canção que vem do mar!

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