E as revistas culturais?

E por falar em revista, onde estão as novas edições das revistas de cultura Preá e Brouhaha? Estas, sim, de valor para o cidadão. A Preá, patrocinada pelo governo do estado, há muito tem sido renegada. Precisamente, desde a saída do diretor-geral da Fundação José Augusto e idealizador da publicação, o advogado François Silvestre.

Na época de François, a revista tinha regularidade (bimestral) e qualidade na impressão. O projeto era uma cria estimada e mereceu toda a atenção da FJA. Chegou a figurar na propaganda eleitoral da governadora quando da eleição, como um dos grandes projetos de seu primeiro mandato. Com a saída de François, a professora Amélia Rosado tentou manter, mas sem valorização alguma. A qualidade da revista caiu. A impressão, mais ainda. A regularidade não teve. Salvo engano, foram duas publicações em um ano.

Na administração de Crispiniano Neto, o discurso inicial foi de que os primeiros seis meses seriam para “arrumar a casa” e segurar os gastos. Ainda assim, a equipe da revista continuou seu trabalho. Na primeira semana de abril, visitou o município de Angicos, onde passou dois dias de intenso mapeamento cultural na cidade, e depois em Ceará-Mirim, em cansativo trabalho de ida e volta à cidade, algumas vezes em longos percursos até o litoral ou regiões periféricas do município. Tudo para editar a revista a tempo de ser lançada dentro do prazo.

Pois bem: a revista está pronta desde maio. Não só matérias com os municípios como outras que devem estar já ultrapassadas com o passar dos meses. Foi o caso de matérias sobre o lançamento do filme adaptado do livro de Nei Leandro de Castro: O Homem que Desafiou o Diabo, que precisou ser substituída após a estréia do filme.

Próximos de findar o segundo semestre, e a “casa” ainda está desarrumada, pelo visto. Crispiniano, que foi personagem prestigiado de ampla entrevista em uma das edições da revista, continua a renegar esse valor cultural de divulgação da cultura popular do estado para o potiguar. A equipe que tanto se esforçou para a elaboração de cada número da Preá, foi desfeita. O editor da revista, o jornalista Tácito Costa foi exonerado e sua equipe o acompanhou.

A Brouhaha – promovida pela prefeitura do Natal – vinha mantendo boa regularidade e qualidade editorial em ascendência. Sabe-se lá o porquê, há uns bons meses foi escanteada pela Fundação Capitania das Artes – responsável pela edição. A última informação que este blogueiro teve é a de que seriam lançadas quatro edições nos últimos dois meses do ano (algumas temáticas, como para homenagear os 40 anos do Poema Processo), para compensar o intervalo entre as publicações. Até agora, nada.

E assim, ficamos nós, potiguares, natalenses, à mercê de revistas de variedades, com sessões de quatro páginas de fotografias de eventos da ala vip da cidade, ou com artigos chinfrins de pessoas que nada têm a dizer. Caminhemos…

Comentários

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