E se a presidenta fosse lésbica?

Um deputado, cujo nome não mencionarei em respeito às crianças presentes na sala, fez fortes insinuações sobre a identidade erótica de Dilma Roussef, com o álibi de combater a cartilha anti-homofobia.

Lições elementares de Lógica:

1) Combater a cartilha anti-homofobia é defender a homofobia. É defender aquele pessoal que espanca e mata gays.

2) Ser lésbica é preferir intimidade erótica com outra mulher. Questão da vida privada, portanto.

3) Ser presidenta é desempenhar funções executivas, políticas e administrativas, na esfera  federal. Questão da vida pública, portanto.

4) Lésbicas e heterosexuais são cidadãs com iguais direitos.

Alguns políticos denunciaram a falta de decoro daquele deputado devido à insinuação.

Não vejo nenhum problema em ser lésbica ou heterosexual. O problema está em tratar a esfera íntima de qualquer pessoa (presidenta ou varredora de rua) como objeto de maledicência, como se tivéssemos direito àquela invasão. Cada um goza como prefere. Até o direito a não gozar deve ser respeitado.

Dilma não foi eleita para ser amante pública dos machos eleitores. Nem para ser exemplo de heterosexual impoluta – ou poluta, mas obrigatoriamente heterosexual – para as fêmeas eleitoras.

A idiotice do deputado e de seus eleitores está em se ocupar da privacidade alheia como instrumento da argumentação política. Freud explica mas não tenho o mínimo interesse pela explicação sobre pessoas daquela categoria – militantes da cretinice explícita.

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Enzio Andrade 28 de novembro de 2011 13:51

    Professor Marcos,a ironia foi perfeita,e o texto está muito bem redigido,bate bola rápido e sem mais delongas.

  2. Enzio Andrade 28 de novembro de 2011 13:50

    Essas pessoas na sala de jantar,são ocupadas em nascer e morrer.

  3. Marcos Silva 28 de novembro de 2011 11:32

    São figuras de linguagem.

  4. Godot Silva 28 de novembro de 2011 11:11

    Não entendi o argumento: “cujo nome não mencionarei em respeito às crianças presentes na sala”. Que crianças? Que sala?

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