Ecos do I EELP

III Parte- Considerações Finais

De tudo fica um pouco. O I Encontro dos povos lusos em Natal foi uma bela iniciativa que pode ser melhorada em eventos futuros. Seja na escolha dos temas seja na formatação. Um aspecto que ficou a desejar foi a constituição das mesas e palestrantes convidados. O caráter de improvisação também ficou patente em todo o evento.

Ficou claro no evento que a boa literatura, o bom poema existirá independente das mídias. Limites foram erodidos e o mundo se tornou uma aldeia global. A união dos povos lusos é extremamente louvável. A língua é nossa identidade e preservá-la é uma questão de defesa de estado.

O escritor brasileiro tem dificuldade de editar em Portugal e o livro precisava ser melhor distribuído entre nós. No Brasil temos dificuldade de adquirir os livros portugueses e podíamos criar mecanismos para uma melhor circulação do rico e imprescindível catálogo de publicações portuguesas,
Senti falta no encontro de uma maior difusão dos clássicos. Quando se fala de integração, penso num livro que nos une num mesmo tronco há mais de 400 anos, Os Lusíadas. Esse canto molhado que é nossa assinatura no concerto das letras mundial.

Propus uma amostra da camoniona e uma fala sobre Camões, mas não foi aceita pela organização do encontro luso.

Como temas para nossa reflexão, destaquei os seguintes pontos do I EELP:

1- Somos 260 milhões a falar o mesma língua e o Brasil com sua rica cultura (musica, etnográfica, etc) assume um papel relevante no universo da lusofonia.
2- Falamos a mesma língua, sim. As diferenças/ dialetos existem até dentro de um mesmo país.
3- Enquanto que em Portugal existe um Instituto Camões e outros órgãos para cuidar da língua, no Brasil não temos nada similar.
4- A boa literatura será veiculada independente da mídia.
5- A literatura é uma expressão da memória e a europeização passa pela africanização.
6- O Livro enquanto papel é um instrumento frágil. Eterno, para mim.
7- É melhor ser copiado na web que não ser lido.
8- É uma burrice desejar escrever como fala.
9- No universo luso Portugal é o país mais culto
10- O Escritor brasileiro tem dificuldade para editar em Portugal

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Comentários

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  1. Tácito Costa 2 de maio de 2010 11:06

    João,
    Uma mancada e tanto essa negativa da Funcarte em não ter aceitado a mostra e fala sobre Camões. A mostra, então, era para ser permanente, em todos os Encontros. Vamos torcer para que no próximo ano os organizadores do evento a incluam.

    Outra coisa que não funcionou foi a forma burocratizada de inscrição pela internet. Sérgio Vilar já comentou sobre o assunto e eu reforço o que ele disse. Tem de liberar geral, quem chegar primeiro vai sentando, depois que lotar, suspende as entradas. Tem de repensar isso também.

    As normas do debate podem ser simplificadas. Falam os que estão na mesa e depois abre espaço para a platéia, aquele negócio de 15 minutos para os escritores sentados na primeira fila é um horror. Imagine se cada um deles tivesse usado seus 15 minutos… A platéia não teria participado.

    Coisas que, se houver bom senso e humildade para ouvir as críticas construtivas, poderão ser corrigidas no próximo encontro.

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