Edgar Allan Poe é retratado como homem perturbado em ‘O Corvo’

Por Felipe Branco Cruz
JORNAL DA TARDE

Divulgação

A causa da morte do escritor americano Edgar Allan Poe (1809-1849) sempre esteve envolta em mistério. O que se sabe é que ele foi encontrado delirando pelas ruas de Baltimore, nos EUA, vestindo roupas que não eram suas. Quatro dias depois, ele morreu. Durante esses derradeiros dias, suas últimas palavras teriam sido: “Está tudo acabado”, “Escrevam Eddy já não existe” e “Reynolds”. Tomando como base a misteriosa morte de Poe, o longa O Corvo, dirigido pelo australiano James McTeigue, chega aos cinemas na sexta-feira (18), com John Cusack (de Alta Fidelidade) no papel do próprio escritor. O título tem como inspiração o nome de um dos poemas mais famosos de Poe, mas o roteiro do filme se apropria também de outros de seus contos de horror para acompanhar os cinco dias que antecedem a morte do autor, quando sua namorada é sequestrada por um serial killer. Junto com um detetive, ele percorre as ruas de Baltimore à caça do assassino.

O longa, porém, é uma obra de ficção. Poe nunca teve uma namorada sequestrada nem perseguiu bandidos. No entanto, em 40 anos de vida, sua prodigiosa imaginação produziu uma série de contos e poemas de horror, policiais e de suspense que inspiraram autores como Sir Arthur Conan Doyle, Agatha Christie e Stephen King.

Considerado um dos maiores nomes da literatura americana, Edgar Allan Poe é o escritor de língua inglesa que mais teve seus escritos adaptados para o cinema – mais de 200 filmes -, perdendo apenas para William Shakespeare e Charles Dickens. Um dos diretores que mais adaptou suas obras foi Roger Corman, de 86 anos, famoso por seus filmes B e que levou às telonas oito títulos com a marca de Poe.

Um perturbado escritor

Cusack interpreta um Poe perturbado por suas histórias e por um bloqueio criativo, causado pela bebida e pela morte por tuberculose de sua primeira mulher. Sua vida só começa a voltar aos eixos quando ele conhece a nova namorada, Emily Hamilton (Alice Eve). Só que ela é sequestrada pelo serial killer, o que causa mais uma reviravolta em sua vida.

O longa não é uma adaptação literal do poema O Corvo, apesar de citar algumas passagens dele. Na realidade, o filme reproduz as principais cenas de morte tiradas dos seguintes contos do romancista: A Máscara da Morte Rubra, quando o anfitrião é morto em uma festa; Os Assassinatos da Rua Morgue, quando mãe e filha são mortas de forma violenta; O Poço e o Pêndulo, quando um homem é cortado ao meio por uma lâmina suspensa num pêndulo; e O Coração Denunciador, quando a vítima é enterrada viva embaixo de uma casa.

Mais ou menos na mesma época de Poe, na França, Julio Verne começou a lançar seus primeiros livros. Os dois autores, atualmente, são considerados os pais da literatura fantástica e de ficção. Há, inclusive, uma citação a Verne no longa, com um dos personagens perguntando a Poe se ele conheceu o autor francês.

O resultado é um filme de suspense que remete visualmente à franquia de filmes de Sherlock Holmes, com Robert Downey Jr. no papel principal. Mas esse clima tem fundamento. Poe, na vida real, cursou a academia militar de West Point (do qual foi expulso), conhecia algumas técnicas de luta e sabia manusear armas. Portanto, não é de estranhar a figura franzina do escritor cavalgando e atirando em um maníaco.

Quem não conhece Poe, depois de mergulhar no universo sombrio e sangrento do filme, deve sair da sala de cinema com vontade de comprar a coletânea Contos de Terror e Mistério, que reúne boa parte dos casos apresentados em O Corvo.

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