Editora Aleph chega aos 30 anos com grande crescimento

Adriano Fromer, atual publisher, e Elizabeth Fromer, fundadora

Por Guilherme Sobota
Foto: José Patrício
O ESTADO DE S. PAULO

Quando Adriano Fromer, atual publisher da Editora Aleph, visita feiras literárias internacionais e apresenta o catálogo de sua empresa,
concentrado na ficção científica, seus colegas de profissão estrangeiros não acreditam ­ ou questionam se a Aleph é um grande
conglomerado editorial brasileiro. Os motivos têm nome e sobrenome: Philip K. Dick, William Gibson, Isaac Asimov, Anthony Burgess
(Laranja Mecânica), Frank Herbert (Duna), Arthur C. Clarke (2001) e mais recentemente Timothy Zahn (Star Wars), todos no seu
catálogo.

A seleção impressiona mesmo. A Aleph, que completou 30 anos em 2014 e passa por uma das melhores fases de sua história, começou a
investir a sério no gênero pelo qual hoje é reconhecida, a ficção científica, pouco depois de Fromer assumir o controle da editora das
mãos de sua mãe, Elizabeth Fromer, há 12 anos. Agora, a construção do catálogo e do público leitor do gênero ­ secundário nos anos
1990, mas que cada vez mais ganha um status ‘cool’ ­ começa a produzir frutos significativos. De 2013 para 2014, o faturamento da
editora cresceu impressionantes 98%. Em dezembro, entrou pela primeira vez na lista dos mais vendidos do PublishNews, site
especializado no mercado editorial, com Star Wars ­ Herdeiro do Império, de Timothy Zahn, grande responsável pelo número. E a
animação não parece que vai arrefecer em 2015.

Estão previstos para este ano 45 lançamentos ­ 25 a mais do que em 2014; em 2013, foram 16 ­, a criação de um selo infantil, livros de
literatura young adult, cultura pop, “soft business” e não ficção. Entre eles, a obra How Star Wars Conquered the Universe: The Past,
Present, and Future of a Multibillion Dollar Franchise, de Chris Taylor ­ o universo Star Wars é a principal aposta da editora. Outro
livro que sai por aqui em 2015 é Alien, de Alan Dean Foster, novelização dos filmes.

“Está no DNA da Aleph: o pioneirismo”, diz Fromer, em uma visita do Estado à sede da editora, uma casa em Pinheiros, zona oeste de
São Paulo. “Fazer aquilo que ninguém está fazendo. Hoje em dia tem nomes chiques, como inovação, mas essa é a palavra. Pensar:
ninguém está fazendo isso aqui, vamos arriscar”, completa ­ foi assim com a ficção científica. Somando um público que não é lá tão
grande, mas muito fiel, apuro editorial, com capas, edições e traduções caprichadas, o negócio foi ganhando força. Hoje, a Aleph é a
principal editora de ficção científica no Brasil.

“O mais interessante desse crescimento é que foi sem nenhum best­seller. Às vezes, no mercado editorial, você acerta um livro, que faz
crescer 200%. Aqui, não”, conta Fromer, antes do estouro de Herdeiros do Império.

Mas esse não é o único gênero com o qual a empresa trabalha. Por exemplo, um dos livros com maior número de exemplares vendidos na
história recente da editora é Aprendendo Inteligência, de Pierluigi Piazzi ­ coincidentemente pai de Fromer e fundador da Aleph. A obra
é uma espécie de manual para estudantes, que entra numa categoria de livros de desenvolvimento humano e ciência, correspondente a
34% do faturamento total, com livros sobre séries de TV, cultura da convergência, novas mídias e cultura pop. Em 2015, por exemplo, a
editora vai publicar biografias inéditas no Brasil de Lou Reed e Iggy Pop.

Os robôs e as naves espaciais, na verdade, voltaram ao foco da editora por volta de 2002 ­ Piazzi é um leitor voraz de ficção científica e
havia feito uma investida no gênero no início dos anos 1990, mas a coisa não funcionou. “O paradigma era: ficção científica não vende”, conta Fromer. “Era estigmatizada. Nessa nova fase, foi um consultor que chegou com um plano editorial, mostrou que ia acontecer e nós topamos. Foi aquele DNA do pioneirismo. O livro marco foi Neuromancer, de William Gibson.”

Aí começou o trabalho de construção do catálogo ­ muitos dos mestres do gênero estavam fora das prateleiras brasileiras ­ e do público
leitor. Fromer diz que tenta vender os livros apenas como boa ficção. O fato de haver robôs, ou se passar em outro tempo, outra galáxia, é
quase secundário ­ os textos de Philip K. Dick, por exemplo, comprovam a tese. A internet ajuda na divulgação.

“Agora que a gente formou um público, partimos para livros mais contemporâneos de ficção científica. Temos muitos autores vivos, como
John Scalzi e Joe Haldeman”, diz, animado. Mas o entusiasmo cresce quando fala dos livros de Guerra nas Estrelas.

“Este é o momento e com isso a gente espera crescer mais 50% também em 2015. É bem interessante que os 30 anos da Aleph seja
marcado por uma fase de crescimento exponencial”, registra ainda.

Existe a ideia também ­ como se fosse uma “função social”, segundo o editor ­ de publicar autores nacionais. “Nós temos planos e
analisamos obras de literatura nacional, mas estamos no processo de recolocação dos clássicos. É como se a gente incluísse um autor
nacional sem ter Machado de Assis. A ideia é, provavelmente no fim do ano, ou começo de 2016, começar com publicações de literatura
fantástica nacional”, acrescenta Fromer.

Números

98% foi o crescimento do faturamento da editora entre 2013 e 2014. No ano anterior, o índice foi de 31% ­ como é o costume no meio, a
empresa não divulga os valores totais em reais
45 novos títulos devem ser lançados em 2015, mais do que o dobro (20) de 2014 ­ em 2013 foram 16. A editora tem 19 funcionários e
conta com 25 autores em catálogo
87 livros compõem a estante da editora ­ os seis selecionados nesta página dão uma amostra dos principais campos de atuação da Aleph:
ficção científica, desenvolvimento humano e cultura pop

TRILOGIA DA FUNDAÇÃO ­ BOX
Autor: Isaac Asimov
Tradutores: Fábio Fernandes e Marcelo Barbão (728 págs.,R$ 117)
O ATIVISTA QUÂNTICO ­ PRINCÍPIOS DA FÍSICA QUÂNTICA PARA MUDAR O MUNDO E A NÓS MESMOS
Autor: Amit Goswami
Tradutor: Marcello Borges (280 págs.,R$ 44)
2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO
Autor: Arthur C. Clarke
Tradutor: Fábio Fernandes (336 págs.,R$ 54)
O LIVRO DOS MORTOS DO ROCK
Autor: David Comfort Tradutores: Ricardo
Giassetti & Roberta Bronzatto (408 págs.,R$ 55)

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