Editora americana volta-se para e-book

Albert Anker [ Die Andacht des Grossvaters ] 1893

Por Jeffrey A. Trachtenberg
The Wall Street Journal

Num momento em que os livros digitais continuam a ganhar mercado, uma das mais antigas editoras americanas de livros de bolso decidiu abandonar o livro impresso tradicional e colocar à venda seus títulos somente no formato digital ou via impressão sob encomenda.

A Dorchester Publishing Inc., uma editora de livros e revistas de capital fechado, informou que está fazendo a mudança depois que as vendas unitárias de livros caíram 25% no ano passado, em parte devido ao declínio das encomendas de algumas de suas contas de varejo mais importantes, entre as quais Wal-Mart Stores Inc. Uma porta-voz do Wal-Mart não quis comentar.

“Não foi uma decisão demorada, arrastada, porque vínhamos realizando o esforço, mas sem obter os resultados”, disse o diretor-presidente da Dorchester, John Prebich.

Os livros eletrônicos estão ganhando popularidade entre os leitores. Mike Shatzkin, diretor-presidente da Idea Logical Co., uma consultoria editorial, prevê que os livros digitais serão 20% a 25% das vendas unitárias até o fim de 2012. A Amazon.com Inc. estima que suas vendas de e-livros para o aparelho Kindle possam superar as vendas dos livros impressos no formato brochura tradicional em 9 a 12 meses.

A decisão de partir para o digital pode ser um sinal do que está por vir para outras editoras pequenas que enfrentam queda nas vendas na área impressa tradicional. A decisão da Dorchester vai provavelmente resultar em economias significativas num momento em que a firma espera que suas vendas digitais dobrem em 2011.

A Dorchester, que publica livros de bolso desde 1971, lança de 25 a 30 novos títulos por mês, aproximadamente 65% dos quais são obras românticas.

Os fãs de obras românticas em particular já abraçaram os e-books, em parte porque os leitores podem ler as obras em público sem ter de revelar a capa. Além disso, o tamanho da letra é facilmente ajustável nos e-readers, o que torna os títulos publicados no formato de bolso mais fáceis de ler para clientes mais velhos.

Prebich estimou que 83% dos livros publicados pela Dorchester são vendidos nos Estados Unidos a um preço de tabela de US$ 7,99. Um livro brochura no formato convencional geralmente tem o preço em torno de US$ 14,95.

A troca da Dorchester pelo e-book entra em vigor hoje. Ela planeja colocar à venda novos títulos no sistema de impressão sob encomenda por meio de varejistas ainda este ano. A Ingram Publisher Services, uma divisão da empresa de capital fechado Ingram Industries Inc., informou que vai enviar as encomendas aos varejistas conforme necessário. A notícia da decisão da Dorchester foi revelada primeiro pela “Publishers Weekly”, uma publicação do setor editorial.

Prebich admitiu que alguns autores podem ficar tristes por ver seus títulos somente disponíveis para venda como e-book ou via impressão sob encomenda, mas disse que até agora a resposta tem “sido receptiva ao que estamos fazendo”.

A Hard Case Crime, um selo da empresa de capital fechado Winterfall LLC, disse que poderá buscar uma maneira de transferir seus livros de mistério da Dorchester para outra editora.

“Tem sido uma boa parceria, mas se eles não vão mais publicar livros de bolso, teremos que decidir o que fazer”, disse Charles Ardai, que é dono da Hard Case Crime. “Acredito no formato de bolso, mas compreendo a realidade do mercado.”

A Randon House Inc., uma subsidiária da alemã Bertelsmann AG e a maior editora americana de livros voltados ao consumidor, informou que continua a apostar forte no mercado de livros de bolso. Um dos escritores americanos de livros de mistério de maior sucesso, o falecido John D. MacDonald, é vendido pela Random House exclusivamente no formato de livro de bolso.

“Ainda é uma alternativa viável, popular e mais barata do que os outros formatos de leitura”, disse Stuart Applebaum, um porta-voz da Random House. “E também tem um público fiel. Será que essa fidelidade será para sempre num mercado em transformação? Teremos de esperar para ver.”

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