[EDITORIAL] Nelson Patriota (1949-2021)

Ontem, o Rio Grande do Norte perdeu um monumento. A morte do escritor e crítico Nelson Patriota comoveu meio mundo literário. Ele era um dos potiguares com mais tempo dedicado às letras, décadas mergulhado no ofício de entender como preencher o branco da tela ou do papel com destreza.

Nelson foi um dos fundadores deste Substantivo Plural, em 2007 – Tácito Costa, nosso eterno editor-chefe, tinha Carmen Vasconcelos e Carlão de Souza (1959-2019) na formação clássica do portal. Baixo, bateria, duas guitarras e quatro vocalistas afiados. Desde então, ele manteve a colaboração conosco em artigos fundamentais em nossa história.

Quem realmente está interessado na literatura potiguar? Quem lê poemas, contos, romances, mas também biografias dos autores, livros sobre o contexto histórico e a região em que eles viveram, e sobre os temas que eles abordam em seus escritos?

Quem lê isso tudo e depois faz o mesmo roteiro com a literatura de outros Estados, países, para ter referências, acertar em analogias e comparações? Quem lê teoria literária? Nelson fez tudo isso e muito mais.

Ia de Câmara Cascudo, Zila Mamede e Américo de Oliveira Costa à Kafka, Borges e Murakami – algumas de suas influências.

Talvez os mais jovens o desconheçam (ou quem não é tão jovem assim, mas acha que a literatura potiguar começou nos 2000s). Nesse fluxo tsunâmico de publicações em que vivemos, raros buscam os primórdios de uma cultura, conhecer vida e obra de quem plantou sementes quando tudo era barro, pestes e sol quente.

Morreu no Dia de Reis, fim dos festejos natalícios dos cristãos, para uns, início do veraneio – para outros, o primeiro mês de um ano que já se apresenta como tenebroso. Nosso mago das palavras.

Que o bom leitor esteja sempre convosco, querido Nelson.  

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