Eleição definirá nova direção para uma das instituições federais mais ativas do RN

A Escola de Música da UFRN é hoje referência no Nordeste e uma das mais produtivas do Brasil. A Orquestra Sinfônica formada por alunos e hoje regida pelo maestro André Muniz também é exemplo. E além da orquestra, outros projetos de extensão se mostram aceitos pela crítica e pelo público, como o grupo Octo Voci ou o Acordes, já com apresentações em diversos palcos do RN. Sem falar nos inúmeros concertos com livre acesso e nomes nacionais e internacionais convidados. Um serviço não só à comunidade acadêmica, mas à formação de plateia. Lamento apenas o fim da Semana da Música, que levava a concertos, ditos eruditos, às ruas, às escolas, aos shoppings e ajudava a popularizar o gênero. E não vi o resgate desse projeto entre as propostas das três chapas concorrentes. Enfim, são muitos os projetos, é rica a história da instituição e o momento que passa a EMUFRN. Por isso, a eleição para nova direção de uma instituição conceituada e já com 54 anos de história é tão importante. No próximo dia 7 de junho teremos o resultado. Pelo que colhi de informações, não há nenhuma rejeição aos candidatos, o que é ótimo sinal. Boas propostas e nomes respeitados na disputa. Ainda assim, de perfis diferentes. O próximo diretor terá mandato de quatro anos e substituirá Zilmar Rodrigues, reeleito na última eleição sem concorrência. Confira um perfil breve de cada chapa:

CHAPA 1 – DESAFIOS, ARTICULAÇÃO, PROTAGONISMO
Jean Joubert (diretor) e Valéria Carvalho (vice-diretora) são professores exclusivos da licenciatura em educação musical. A tendência é direcionar esforços pra esse curso que, claro, precisa de toda a atenção. Falta ao curso, por exemplo, a merecida visibilidade internacional, já conquistada pelo bacharelado. Jean é articulado no meio da educação musical no Brasil e pode conseguir isso. A vice diretora tem ótima experiência como professora, chefe de departamento e coordenadora de diferentes departamentos e cursos dentro da unidade. A chapa tem a intenção de buscar formas integradas de gerir ações e recursos num esforço coletivo para avançar nos aspectos acadêmicos (científicos, artísticos, ensino e extensão), administrativos e humanos, culminando com a Escola de Música como referência nacional de ensino, aprendizagem e de produção de conhecimentos artísticos e científicos.

CHAPA 2 – UNIR PARA AVANÇAR

Radegundis Tavares (diretor) e AmandyBandeira (vice-diretor) são professores do bacharelado em instrumento. O candidato a diretor é jovem e com aquela vontade nata da juventude em inovar, produzir, mostrar serviço. Da mesma maneira recai sobre si a falta de experiência, que nem sempre se mostra um fator negativo, ressalte-se. Principalmente quanto ao seu lado tem um vice-diretor metódico, organizado. Conheci Amandy enquanto assessor de imprensa da Semana da Música e atesto seu compromisso com o trabalho que abraça. Tendência da chapa é o foco na estrutura de estudo para os instrumentistas – de grande valia – e, com a experiência de Amandy com a política de editais, captar recursos para os diversos projetos da unidade. Os avanços propostos pela chapa estão direcionados aos aspectos administrativos, acadêmicos e artísticos, além do ensino, pesquisa e extensão.

CHAPA 3 – NOVOS DESAFIOS, NOVAS EXPERIÊNCIAS
André Muniz (diretor) e Maria Clara (vice-diretora) são sem dúvida os mais experientes, com mais de 20 anos de universidade. André é hoje o regente da Orquestra Sinfônica da UFRN e possui livre trânsito entre os vários setores da UFRN. Tem o poder da articulação. Tanto que, mesmo em tempos de crise, mobilizou pessoas influentes e viabilizou a ida de 40 pessoas para concerto da Orquestra na Alemanha – uma política de internacionalização da escola deveras importante. Sua vice, Maria Clara, poderá emprestar mais focada para área de educação e e técnica. Ambos possuem ótima relação com funcionários e comunidade universitária. Entre as propostas, estão a prioridade na implementação da nova matriz financeira da UFRN, política de otimização do espaço físico e revisão da estrutura curricular dos cursos.

SAIBA MAIS:
A atual Escola de Música foi criada no ano de 1962 e incorporada à Universidade Federal do Rio Grande do Norte nesse mesmo ano, no dia 04 de outubro. Foi do então Magnífico Reitor Onofre Lopes a iniciativa de implementação desse importante empreendimento. Foi integrada ao antigo Instituto de Letras e Artes em janeiro de 1968, e em seguida, passou a ser órgão integrante do Centro de Ciências Humanas Letras e Artes.

A primeira sede da Escola de Música situava-se à Rua Floriano Peixoto, 336, logo em seguida mudou-se para a Praça Cívica Pedro Velho, 397 e posteriormente, até o início da década de 1990, estabeleceu-se na Rua Mipibu, 419.

predioconstruindoNo ano de 1991, na gestão do Magnífico Reitor Daladier da Cunha Lima, a Escola de Música mudou-se para sua nova sede no setor do Campus Universitário da UFRN, um projeto ousado e de grande importância para o desenvolvimento da música no Rio Grande do Norte. Daí em diante a Escola de Música, por meio dos seus vários dirigentes, professores funcionários e alunos, obteve conquistas expressivas.

Durante as três primeiras décadas de sua atuação, a EMUFRN movimentou a cultura musical no estado: promoveu seminários, recitais, festivais, encontros de bandas, ciclos de conferências e apresentações de professores e alunos. A EMUFRN foi de fundamental importância para o desenvolvimento do cenário musical na cidade. Assim, a Escola nesse contexto histórico, entra em consonância com os objetivos da sua criação, cumprindo satisfatoriamente sua função enquanto unidade de extensão na Universidade. As atividades desenvolvidas na EMUFRN, de acordo com o art. 3º do Regimento Interno da Escola de Música, anexo a Resolução 69/82-CONSUNI de 15/07/82, eram atividades curriculares e extracurriculares com a seguinte estruturação: Curso de Iniciação Artística, Curso Preparatório, Curso Médio e Curso Final.

No ano de 1997, a Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMUFRN), iniciou o curso de bacharelado em música. No ano de 1998, o Ministério da Educação e Cultura, autorizou o funcionamento do Curso Técnico em Música, e, em maio de 2002, a comunidade optou por elaborar um projeto que transformou a Escola de Música, numa Unidade Acadêmica Especializada, cuja característica da unidade administrativa é cumprir, isolada ou conjuntamente, objetivos especiais de ensino, pesquisa e extensão, que, por sua complexidade, requeiram estrutura administrativa própria compatível com suas atividades.

Ainda no ano de 2004, foi criado o curso de licenciatura em música, uma ação de grande importância para a formação de profissionais nessa área. São 45 anos dedicados ao ensino, as atividades de extensão (seminários, cursos, máster class, promoção de eventos musicais, entre outros) e pesquisa. Durante esse período Natal aplaudiu inúmeros conjuntos compostos por docentes e alunos da Escola de Música; duos, trios, quartetos, quintetos e outras formações, cujas repercussões de suas performances, muitas vezes, ultrapassaram o solo potiguar.

Comments

There are 2 comments for this article
  1. Raquel Souza 1 de Junho de 2016 8:05

    Querido Sérgio, a Escola de Música ainda possui a “Semana da Música”, por isso que não aparece como proposta.
    Como muitas pessoas não sabem, eu hoje sou assessora de comunicação do Octo Voci e da Sinfônica da UFRN. Não estou como assessora da EMUFRN.
    Estive à frente diretamente da assessoria de comunicação da EMUFRN na implantação do projeto em 2008 e primeiro semestre de 2009. O professor Zilmar queria que eu continuasse no projeto, mas optei à época pela dedicação total ao meu curso de mestrado.

  2. Sergio Vilar 1 de Junho de 2016 8:23

    Ótimo, Raquel. Mas com certeza o formato ou o alcance diminuíram bastante. À época tinha o patrocínio da Petrobras e pretensões de crescer bem mais. Já no ano seguinte, sem o patrocínio, minguou um bocado.

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