Eleições na UFRN

Caros Amigos e Amigas,

No próximo dia 10 de Novembro a UFRN escolherá o seu novo reitor. Concorrem duas chapas onde participarão do pleito Estudantes, Funcionários e Professores. Uma votação da maior importância que vai gerir o segundo orçamento do estado. É assim com um misto de tristeza e alegria que presencio mais uma eleição para a Reitoria da UFRN. Alegria por ter sido um dos protagonistas que lutaram pelas eleições diretas na UFRN, num tempo em que os reitores eram indicados em listas escolhidas lá em cima. Lembro ainda do tempo de manifestações em que clamávamos por um processo democrático com ou sem paridades. Essas coisas levavam muito tempo para serem decididas. As discussões eram acaloradas. Participei certa vez de um protesto com uma mordaça para reivindicar eleições diretas.

Passado mais de trinta anos a universidade feita por nós cresceu em todos os aspectos. Só não cresceu na humanização e no processo de formação dos seus colegiados e eleição para reitor. O que vemos com muita tristeza é um
processo viciado e enviesado, que em muitos aspectos assemelham-se aos processos eleitoreiros que se observa extra muros universitários.

Como democrata e republicano senti falta nesse processo sucessório de um debate mais qualificado e neutro, por parte dos dirigentes atuais. É claro o envolvimento da atual reitoria e de entidades em prol de uma chapa. Isso tudo me deixa muito triste e penso que esse processo de escolha de reitor se exauriu e precisamos de outros mecanismos.

Em universidades européias o reitor não tem a visibilidade que tem entre nós. Muitos não conhecem o reitor da sua universidade e a academia funciona quase que independente do reitor que tem um cargo simbólico.

Male verum examinat omnis corruptus judex. Alguns partidários de uma determinada chapa dizem que terão mais de 70 % dos votos, O fato consumado engana aqueles menos passados na casca do alho. Quem sou eu para questionar Komolgorov, mas questiono esses dados e convido todos os colegas estudantes, funcionários e professores da UFRN para votarem no dia 10. A nossa universidade cresceu muito, mas perdemos em qualidade e
vitalidade. A universidade inchou e perdeu saúde. O Ensino é ruim e a cultura vai de mal a pior. Há muita coisa para alem dos números que nos coloca como a segunda universidade do nordeste e uma das melhores do Brasil.Os conselhos universitários estão esvaziados. Os professores sobrecarregados e vigiados. Vigiar e Punir podia ser o lema empregado hoje nas universidades.

O nosso modelo de eleição é muito ruim para os nossos alunos e sociedade de modo geral. Praticamos os mesmos erros de outras eleições quando devíamos como academia dar o exemplo. Na doce fala de alguns esconde-se as garras adamantinas pela busca do poder e da vaidade.

A UFRN é vital para o desenvolvimento do nosso estado e a comunidade potiguar precisa participar mais e cobrar da instituição.

Ad multos annos

Ab imo corde

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Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Carlos Chesman 30 de outubro de 2014 15:48

    Tens razão, é isso mesmo mudou muito pouco, pouquíssimo.

  2. João da Mata 9 de novembro de 2010 14:46

    Perfil das candidatas a Reitora:

    Chapa 1 – Maria Arlete Duarte de Araújo é professora titular do Departamento de Ciências Administrativas da UFRN desde 2007. Formada em Administração pela Universidade Federal de Sergipe (1978), mestre em Administração pela Universidade Federal da Paraíba (1983), especialista em Administração Universitária pela UFRN (1990), doutora em Administração pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo / FGV-SP (1996).

    Ela possuiu pós-doutoramento na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona -ESP (2008 a 2009). O seu ingresso na UFRN ocorreu em 1982 por concurso público de provas e títulos. Durante a sua vida acadêmica, ocupou os cargos de vice-coordenadora do PPGA/ UFRN (1997-1999) e o de diretora do Centro de Ciências Sociais Aplicadas/ UFRN, por dois mandatos, de 1999 a 2007.

    Além dos cargos ocupados participou de várias comissões e colegiados, a exemplo do Conselho de Ensino e Pesquisa UFRN (1987/1988). Autora de dezenas de artigos na área de administração e gestão universitária e capítulos de livros. Recentemente publicou pela Editora Fundação Getúlio Vargas o livro Responsabilização na Reforma do Sistema de Saúde: Brasil e Catalunha, com outros professores do PPGA, Clima Organizacional na Administração Pública e com colegas de outras instituições Avanços e Perspectivas da Gestão Pública nos Estados II.

    Chapa 2- Ângela Paiva Cruz é a atual vice-reitora da UFRN, desde 2007. Ela coordena o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) que tem revolucionado a instituição. Entretanto, sua experiência na gestão universitária vem de longa data.

    Formada em Matemática, com mestrado em Filosofia (Lógica) e doutorado em Educação, Ângela é professora da UFRN desde 1983 e esteve na comissão de frente do planejamento e da implementação de inúmeras políticas que hoje colocam a UFRN como uma das melhores Universidades do Brasil , com reconhecimento internacional .

    Ângela participou dos diversos conselhos superiores da Instituição e de importantes comissões. Também foi chefe do Departamento de Filosofia, membro do Conselho de Centro e vice-diretora do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA).

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