Eleitores em xeque-mate

Se as atuais eleições estaduais fossem um jogo de xadrez, seria o caso de se dizer que os eleitores levaram xeque-mate. Mais um, sejamos dungamente coerentes. Refiro-me, claro, às candidaturas majoritárias que apresentam chances de vitória.

Qualquer uma das coligações que vença manterá intacta a estrutura política que domina o Rio Grande do Norte há décadas. Em alguns momentos de forma bipolar (Aluizio x Dinarte), combinada (Alves e Maia) e em outros de maneira disfarçada, nos tempos da “Arena verde”. Todos já marcharam juntos em algum momento.

Nesta eleição, repetindo os Maias na década de 80 (com os presidenciáveis Andreazza, Aureliano e Maluf), os Alves cravaram um triplo. Henrique, com Iberê Ferreira, Garibaldi, com Rosalba Rosado, e Carlos Eduardo correndo por fora, com possibilidade de se juntar a uma das coligações ainda no primeiro turno, caso não passe para o segundo.

A menos de três meses da eleição já se pode afirmar que os Alves, com o triplo que cravaram, são os vencedores, independente do resultado do dia 3 de outubro. Sem falar que ainda elegerão praticamente todos os seis membros da família que disputam eleição (Garibaldi, Henrique, José Dias, Agnelo, Carlos e Walter).

José Agripino, o outro pólo de poder no RN, foi buscar sua candidata ao governo num grupo, até então, de importância e limites políticos interioranos, Rosalba Rosado, líder de uma longeva oligarquia na região oeste.

Iberê Ferreira revive a história dos vices inexpressivos que chegam à cadeira por circunstância da legislação eleitoral e com a máquina na mão se torna um obsessivo, movendo céus e estrelas para continuar no cargo, mesmo contra toda a lógica. Vimos esse filme há poucos anos com Fernando Freire.

E se os candidatos ao governo não empolgam, o que dizer, então, dos vices Álvaro, Wagner e Robinson? Três políticos que rezam na mesma cartilha conservadora e oligárquica dos demais e que também lá na frente seguirão os passos de Freire e Iberê. Repetindo uma maldição que parece não ter fim.

Uma eleição onde quem se apresenta como novo ou depositário de mudanças são políticos do arco da velha ou seus representantes. Sobra uma falsa disputa, onde a única certeza é a de que vença quem vencer tudo continuará na mesma.

Enfim, um quadro político desalentador. Onde o discurso de continuidade administrativa, no caso de Iberê, é terrificante, e o das mudanças, levantados por Rosalba e Carlos são iguais à nota de três reais.

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