Encontrada fotografia inédita de Rimbaud

“Uma fotografia inédita de Arthur Rimbaud, que mostra o poeta sentado numa varanda do Hotel de l’Univers, em Aden, na Abissínia, foi encontrada por acaso por dois livreiros numa feira de rua de antiguidades. A imagem, a única que existe de boa qualidade mostrando Rimbaud adulto, não está datada, mas os dois livreiros, Jacques Desse e Alban Caussé, acreditam que pode ter sido captada no início de 1880.

A descoberta, que aconteceu há cerca de dois anos, foi um puro acaso. A fotografia, que mostra um grupo de seis homens e uma mulher, fazia parte de um conjunto de imagens de Aden e chamou a atenção de Desse e Caussé por ter escrito na parte de trás Hotel de l’Univers – um dos dois estabelecimentos hoteleiros administrados por franceses na colónia, e precisamente aquele em que Rimbaud estivera instalado em Aden, onde viveu os últimos anos da sua vida, antes de morrer em França, aos 37 anos.

São muito raras as imagens de Rimbaud durante o período em que viveu em África, e em nenhuma é possível distinguir claramente os traços do seu rosto. Na que agora os dois livreiros divulgaram o rosto vê-se nitidamente, os olhos tristes, um pequeno bigode.

Para confirmarem as suspeitas de que poderia tratar-se do poeta, os dois homens pediram a ajuda de Jean-Jacques Lefrère, biógrafo de Rimbaud, que, ao fim de uma investigação, e de comparações com as imagens de adolescência do poeta, confirmou que se trata efectivamente dele”. (O Público)

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Jarbas Martins 16 de abril de 2010 7:58

    Valeu, Marcos Silva, teu belo trabalho como historiador e artista.Valeu,Gustavo de Castro,tua glosa criativa sobre o trabalho de Marcos.Abs.

  2. Gustavo de Castro 15 de abril de 2010 19:31

    Na Abissínia, como um qualquer. À mesa, o mestre. Anônimo mundo; visage do quase nada. Encomendou aí certa vez uma máquina fotográfica. Ilumination era o nome para as chapas fotográficas à época. Antes, escreveu um livro com este mesmo nome. Depois quis uma máquina para sacar fotos d’África. Na Abissínia, como qualquer um. Tem o olhar mais azul do que o céu. Fotos sem foco. Imagens rasgadas de tanta luz. Na mãos, Rimbaud tem o crime, a passionalidade e o ardil. Na cabeça o esquecimento de si. Nos pés, o andarilho. No coração, a violência da poesia. Morre estrachalhado pela intensidade e a força. À mesa, o mestre. Qualquer um.

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