[ENTREVISTA] Chico Díaz: As mãos do desespero e da criatividade

Chico Díaz é quem assina as ilustrações de “Os vivos (?) e os mortos” (Sol Negro Edições, 2020), de Fernando Monteiro, livro que mergulha no horror de um dos períodos mais tristes e densos de nossa história, que está na última semana de campanha para financiamento coletivo no Catarse.

Nascido na Cidade do México em 1959, passou a infância entre Costa Rica, Peru, EUA, Brasil e Paraguai. Arquiteto de formação, é mais conhecido por seus inúmeros trabalhos em filmes, como “Amarelo manga” de Cláudio Assis, na televisão brasileira e no teatro.

Leia a entrevista com Fernando Monteiro sobre “Os Vivos (?) e Os Mortos”

Além disso, se destaca como artista plástico. Neste campo, antes deste projeto, já havia ilustrado um livro escrito por seu pai, Juan Díaz Bordenave, educador e teórico da comunicação.   

                                         

Ilustração: Chico Díaz

1- Como foi o processo criativo das ilustrações para este livro que trata de um assunto tão delicado?

Chico Díaz: Um processo criativo é algo difícil de descrever, pois surge aos poucos, após a leitura do texto. O que fica, o que marca e o que pode ser traduzido em imagens… os instantes lidos, o horror apresentado no texto do Fernando, a dor, os gritos silenciados… o medo, as súplicas — tudo que inconscientemente está envolvido naquele ambiente absurdo… fazer em preto e branco foi logo uma opção. Tentei visualizar os corpos caídos, mas seria óbvio, então pensei que pelas mãos eu poderia contar essa história… mãos tombadas ou em súplica. A questão das deformações também me pareceu um bom caminho…

2- Qual a sua relação com os poemas do livro? De que maneira as gravuras dialogam com os sentimentos causados pela leitura?

Chico Díaz: Acho que a primeira resposta responde essa pergunta também… as imagens tentam muy humildemente ambientar as palavras do Fernando.

Ilustração: Chico Díaz

3- Você já conhecia a obra de Fernando Monteiro?  Como surgiu essa parceria?

Chico Díaz: Conhecia mais o Fernando que sua escrita ,que me apareceu depois. Li com entusiasmo o livro do Museu e depois este…

4- Seu trabalho como ator tem interação com seu trabalho como artista plástico?

Chico Díaz: Acho que sim, claro, uma fonte apenas… não tenho provas dessa interação, mas a poética e o drama ali presentes, ou buscados, surgem… uma superposição de camadas por sobre uma região qualquer do inconsciente, gerando manchas potentes e daí uma busca de significado, uma significação, digamos, para poder compartilhar, mas que não é fundamental também.

5- Quais são suas referências e fontes de inspiração?

Chico Díaz: Os abismos, a perplexidade, os mistérios.

Fotografia de capa: Ramon Vasconcelos

Mãe, atriz, artista plástica e artesã, criadora da Poeira de Céu, colaboradora na Sol Negro Edições, terapeuta holística, formada em TPICs pela UFRN. Seridoense apaixonada pelo mar, por artes, pessoas e pela vida. [ Ver todos os artigos ]

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