Entrevista com Alain Badiou

O senhor defende um princípio básico da nossa inscrição na existência, do qual se desprendem também nossos compromissos políticos: uma vida sem ideias não é uma vida.

A verdadeira pergunta da filosofia consiste em saber o que é uma vida verdadeira, o que é viver, o que é o destino. Mas a filosofia deve contribuir com respostas mínimas a essas perguntas. Minha resposta, que, por sua vez, é uma hipótese e uma conclusão, é que a verdadeira vida é uma via que aceita estar sob o signo da ideia. Dito de outra forma, uma vida que aceita ser outra coisa do que uma vida animal. Em todas as situações, sempre persiste a vontade de querer algo, e essa vontade só tem sentido em relação a uma vontade de transformação.

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Comentários

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  1. Danclads Lins de Andrade 24 de maio de 2011 21:04

    Gramsci disse que: “viver é tomar partido” e Schopenhauer falava da vontade como fonte capaz de mudar a realidade. A mudança da realidade que nos rodeia se dá a partir da vontade, a qual serve de mola propulsora da ideia, a qual, segundo Badiou, seria o elemento básico de nossa inscrição na existência.

    O mundo em que vivemos é essencialmente competitivo, não tendo nenhuma teoria contrária ao capitalismo, como o comunismo, por exemplo, mudado este traço característico, não é à toa que a fraternidade, pregada na Revolução Francesa, restou esquecida.

    Mas, Badiou aponta o valor que seria capaz de mudar este cenário competitivista, fazendo surgir o associativismo: o amor, o único valor que preserva a individualidade, mas é capaz de fazer-nos associar a outrem, de forma espontânea, fazendo com que o outro passe a integrar nossa vida e com que nós passemos a ser menos individualistas.

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