Entrevista com Beatriz Sarlo

O Brasil, neste quesito, pouco fez. E são muitas as resistências no País a que se reveja a Lei da Anistia. O que pode ser mais acirrador de ódios: fazer justiça em relação aos crimes de tortura do passado ou se fiar a uma ”paz arranjada”, como a nossa?

A justiça é indispensável e não conheço outra forma de exercê-la senão pelos tribunais. O grande processo de julgamentos está ameaçado pelos riscos de se converter a condenação em revanche. Todavia, não conheço outro caminho e estou feliz que meu país o tenha conseguido (num país tão inconstante em todos os demais aspectos, tão incapaz de manter uma continuidade de políticas, os julgamentos foram contínuos desde 1984). Acho também que os parentes das vítimas deveriam receber um reconhecimento público: os mortos são mortos, e assim, em sua dignidade, devem ser reconhecidos. Não há mortos melhores nem mortos piores.

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