Entrevista com Nonato Gurgel na Revista Dedo d’ Prosa da UFRRJ

DEDO DE PROSA

Nonato Gurgel é professor adjunto de Teoria da Literatura da UFRRJ e doutor em Ciência da Literatura pela UFRJ. Cursou Mestrado em Estudos da Linguagem, Especialização em Literatura Brasileira e Graduação em Letras na UFRN. Lecionou na UFRN, UFRJ, UERJ, UNIGRANRIO e várias escolas do Rio Grande do Norte. Atuou como pesquisador da FAPERJ e da EMATER.

Atualmente, cursa pós-doutorado no PACC – Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ e conclui o livro “Luvas na Marginália”. Dispõe a sua produção acadêmica no blog Arquivo de Formas: http://arquivodeformas.blogspot.com

Observando o seu currículo, percebemos haver algumas publicações relacionadas a experiências na área de Teoria Literária. Em que consistem tais publicações?

NG: Estas publicações são resultados das leituras que venho desenvolvendo desde a década de 80 quando me graduei em Letras. Através dessas leituras, desenvolvi algumas pesquisas que divulguei em livros, revistas, jornais e sites virtuais, onde releio quase sempre os mesmos autores. Na área da Teoria, destaco Homi Bhabha, Zygmunt Bauman, Stuart Hall e os de sempre: Walter Benjamin, Roland Barthes, Mikhail Bakhtin, Freud, Lacan, Compagnon…

Sabendo que é natural de outro estado, o que o motivou a vir para o Rio de Janeiro?

NG: O curso de doutorado em Ciência da Literatura. Até 1998, quando cheguei aqui no Rio, não havia curso de doutorado na área de Letras, na UFRN. Essa motivação, esse deslocamento do RN para o RJ é muito importante. A partir daí tracei um roteiro de vida que inclui alguns dos espaços instigantes e provocativos por que vivo: o Rio de Janeiro e a Baixada Fluminense.

3. Qual é a importância de lecionar Teoria Literária, no campus da UFRRJ, na Baixada Fluminense?

NG: Durante mais de 5 anos, lecionei na UNIGRANRIO, em Duque de Caxias. Tive lá uma experiência bastante produtiva com diferentes cursos de graduação como Letras, Pedagogia, Comunicação, Educação Física, Informática… Portanto, quando vim lecionar na Rural, eu já conhecia o potencial e a multiplicidade do público da Baixada.

Acho o máximo lecionar no curso de Letras de Nova Iguaçu. Para mim, é uma coisa natural porque fecha um ciclo da minha vida profissional. Quando prestei concurso para a UFRRJ, escrevi um memorial que começa assim: “O meu percurso profissional e existencial é pautado numa dualidade que se concretiza na relação entre a vida acadêmica e a extensão rural. Concluído o curso Técnico em Agropecuária… fui admitido… pela EMATER-RN, Empresa Brasileira de Assistência Técnica e Extensão Rural… Nesta empresa, desenvolvi longo trabalho de extensão rural junto a líderes comunitários, agências bancárias, grupos de jovens e de pequenos produtores rurais em quatro municípios do RN. Enquanto desenvolvia esse trabalho de extensão rural, cursava Letras na UFRN e lia manuais de Victor Manuel, Antonio Candido e Alfredo Bosi, dentre outros livros.”

Cândido e Bosi são hoje releituras importantes na Rural de Nova Iguaçu onde leciono Teoria da Literatura. Respondendo a pergunta, creio que a importância dessa disciplina esteja no fato dela sugerir um exercício reflexivo que é bastante crítico. Num momento histórico no qual a Baixada Fluminense se afirma como espaço gerador de formas e linguagens, a teoria pode ajudar a ler e formatar os discursos. Ajuda também na leitura e na construção de traços identitários. Por isso creio que a teoria auxilia na projeção de roteiros de vida. Ou seja: é o momento da Baixada dizer e ela diz. O dorso da baixada fala. Eu vi isso no ano passado quando lecionei um curso sobre a Floração da Prosa no Sertão, na Casa da Leitura, no Rio, e os alunos da Baixada se destacaram numa platéia onde havia professores, escritores, tradutores, coordenadores de cursos, estudantes de pós-graduação…

4. Quais obras influenciaram na sua formação como intelectual e profissional na área de Letras?

NG: São muitas obras. Destaco algumas:

– “Magia e Técnica…” e “A origem do drama barroco alemão”, Walter Benjamin

– “Ensaios”, T. S. Eliot

– “Formação da Literatura Brasileira”, Antonio Cândido

– “Os Sertões”, Euclides da Cunha

– “Grande Sertão: veredas”, Guimarães Rosa

– “A lição do amigo”, cartas do Mário de Andrade para Drummond

– “Cenários em ruínas”, Nelson Brissac Peixoto

– “Seis propostas para o próximo milênio”, Ítalo Calvino

– “O demônio da teoria”, Compagnon

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