ENTREVISTA: Diana Fontes detalha o projeto que pretende acordar este Elefante cultural!

O elefante potiguar precisa acordar para a arte de rua e a economia criativa da cultura também com viés turístico. E para tal, Diana Fontes e equipe produziram um projeto substancioso para rodar o Rio Grande do Norte de forma meio mambembe, mas paradoxalmente muitíssimo organizado para fomentar a cultura local com espaço para leitura, dança e circo. Tudo conectado!

Os quatro cantos do estado potiguar receberão a visita de um caminhão itinerante customizado e tecnicamente adaptado para desenvolver as atividades do projeto. A partir deste mês de novembro o caminhão percorrerá as cidades de Caicó, Santana do Seridó, Currais Novos, Campo Grande, Assú e Mossoró e, em janeiro de 2016, será a vez da região litorânea e do agreste receber o Conexão.

Fomentar e valorizar as apresentações de rua, inserindo novos significados para a utilização de espaços públicos alternativos é a essência do Conexão. Estarão em circulação os seguintes espetáculos: Cia de Dança do Teatro Alberto Maranhão – Gonzagando; Grock Entretenimento – Monocirco e Contação de História: Celina Arte e Educação/Trotamundos Cia de Artes – Era Uma Vez.

Além das ações previstas no cronograma do grupo, em cada desembarque, o projeto dá oportunidades para ações das comunidades locais viabilizando a participação de cada uma imersa em uma atmosfera de riquezas culturais e literárias. Tudo viabilizado pela Cosern via Lei Câmara Cascudo do Governo do Estado, com apoio do SESC e realização do Espaço Vivo e Natal Cultural.

A comandante desta trupe, Diana Fontes, conta mais sobre o projeto na entrevista a seguir concedida ao blog:

O Conexão Elefante Cultural consiste numa projeto mais amplo que as ações empreendidas neste mês de novembro, a exemplo do Trupe do Elefante. Pode explicar como funciona toda essa “engrenagem”?
Diana Fontes – Com certeza bem mais amplo. São várias vertentes: integrar as linguagens artísticas das artes cênicas e a literatura através da contação de histórias, despertar na população o que está adormecido devido à realidade virtual que vivemos. Encontrar-se, reunir pessoas nas praças é um dos objetivos prioritários. E a terceira, descentralizar o fazer artístico não apenas levando ações para o interior e sim apresentando-se juntos. Dialogando, trocando experiências, construindo uma cartografia desses caminhos. De fato realizar uma Conexão. Em cada cidade a Trupe do Elefante une nós e os da cidade. E registrar tudo isso através do olhar cinematográfico de Carito Cavalcanti é fundamentar, materializar essa conexão. No tocante ao Turismo Cultural, focamos na difusão e identificação da nossa cidade. Em cada cidade realizaremos Oficinas formativas com o Grock e CDTAM; Pinote Produções, Diana Fontes, Anna Celina e Beto Vieira. Serão oficinas corporais, de empreendedorismo e de mídias sociais. Também cortejos pela cidade com fanfarras (se tiver) ou carro de som, apresentação local, apresentação da Trupe e ciranda integrando todos.

Foto: Carito Cavalcanti
Foto: Carito Cavalcanti

A ideia de um caminhão itinerante partiu da experiência com o Presente de Natal? Quais as vantagens no sentido de custo-benefício e eficácia na proposta do Conexão?
A ideia do caminhão é um sonho antigo. Temos um projeto arquitetônico fantástico de Mariana Gurgel, composto de adaptação de uma carreta com camarim, depósito, iluminação e sonorização. Isso há mais de oito anos. Estamos no caminho. A primeira experiência foi com o Presente de Natal sim, mas para o projeto Conexão Elefante Cultural se faz necessário um caminhão Baú, adesivado com bastante visibilidade, que levará nosso material cênico, figurinos e equipamento. Em cada cidade locamos o caminhão pequeno para o nosso cenário e cortejo. Nosso objetivo é também contribuir com a economia criativa de cada lugar. Contratamos técnicos, produtor e atração local. Equipamentos de divulgação também. A mobilidade é também um grande trunfo, na desconstrução do formato artista e plateia dividida. Chegamos perto, dialogamos bem mais. Um dia conseguiremos montar nosso Teatro itinerante.

Qual critério para escolha das cidades que receberão o projeto?
Região, atuação cultural, Casa de Cultura na primeira etapa (novembro). Na segunda etapa (janeiro/2016), o Turismo Cultural. Chegaremos às praias frequentadas por turistas e pelos veranistas, contribuindo com a difusão e identificação da nossa cidade. Litoral bonito tem em todo o Nordeste, mas necessário se faz criar um diferencial. A arte, a arquitetura, a gastronomia tem essa característica. Deixamos uma apresentação de reserva para suprir alguma falha. E já surgiu: não favorecemos o Litoral Norte, mas estamos em negociação.

Quando você sentou para pensar o projeto, qual o principal objetivo? Quem lhe ajudou nessa montagem?
Trabalho em equipe há muitos anos. Acho delicioso trocar ideias. Experiência de trabalhar coletivamente surgiu desde o Presente de Natal. O principal objetivo é popularizar o nosso fazer artístico. Compreendo que necessário se faz popularizar uma ação para poder criar a intimidade necessária e assim fazer parte do nosso cotidiano. A própria Trupe, a Cia de Dança do Teatro Alberto Maranhão (CDTAM), a Grock Entretenimento, que carinhosamente chamo de Grockinho e Beto Vieira e Anna Celina Educação/Trotamundo são alguns dos parceiros de sempre.

Faz um tempo conversamos sobre a necessidade de levar a arte às ruas ou de, no caso da dança, tentar levar essa linguagem de forma mais didática à população. Esse projeto também tem essa essência?
Sim. Essa é a minha intenção. No tocante à formação, sedução, conquista. Creio que a palavra correta seria “popularização” da dança. Tem que chegar tanto aos rincões quanto aos salões. Necessário provocar sensações, reações. E só dialogando é que se constrói um diálogo.

Já há um acerto prévio com as comunidades para as apresentações locais ou só quando o projeto desembarca na cidade é organizada a programação?
Há um acerto prévio. Estamos na lida desde agosto. Visitando as cidades, definindo os lugares, produção local, artistas locais, necessidades, locais das oficinas e bate papo cultural.

A ideia é manter esse projeto no próximo ou nos próximos anos?
Esperamos sim dar continuidade, chegar a outras cidades e também, na esfera municipal, a outros bairros. Iniciamos com o Conexão Elefante Cultural incentivado pela Prefeitura/Funcarte via Programa Djalma Maranhão e Esmeralda Praia Hotel. Fizemos as quatro Zonas da cidade, sendo em cada Zona, dois bairros e na Grande Natal, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante. Agora estaremos embarcando com a Trupe do Elefante e toda nossa equipe de Comunicação e registro. Incentivado pelo Governo do Estado/FJA/Lei Câmara Cascudo e a COSERN. Somos 20 pessoas na estrada com a esperança de que esse Elefante continue construindo uma conexão cultural e que possa alçar voo, levando na sua bagagem muita arte!

PROGRAMAÇÃO – Conexão Elefante Cultural

Seridó:
06 de Novembro: Caicó
07 de novembro: Santana do Seridó
08 de novembro: Currais Novos

Oeste:
13 de novembro: Campo Grande
14 de novembro: Assú
15 de novembro: Mossoró

Litoral/Agreste: 2016 Gilca
15 de janeiro: Baia Formosa
16 de janeiro: Pipa (tarde)
17 de janeiro: Goianinha
22 de janeiro: Pirangi Praia
23 de janeiro: Natal
24 de janeiro: Nova Cruz
31 de janeiro: Ceará Mirim
Lançamento do Documentário: fevereiro de 2016.

FOTO: Brunno Martins

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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