[ENTREVISTA] Fryer (PI) e o novo disco lançado pelo selo potiguar Nightbird Records

Na última sexta-feira (23), o selo potiguar Nightbird Records lançou em todas as plataformas de streaming o álbum “The Moth – Before the Darkness”, do artista visual e compositor piauiense Fryer.  O artista usa como referência os sons góticos, industriais e pós-punk, com um viés contemporâneo. O disco é um curto e cru, um trabalho cheio de ambiências.

“Esse é um disco conceitual que aborda várias figuras presas em um ambiente escuro onde ninguém sabe onde está, como chegou ali ou para onde está indo. Quase uma referência a Beckett. O álbum funciona como uma sátira nostálgica e atual do momento político e social que vivemos, abordando temas como o narcisismo nas redes sociais e os desdobramentos políticos do Brasil nos últimos anos”, resume o artista.

A pré-produção foi feita em um processo colaborativo com sua banda, composta por Izídio Cunha (baixo), Flávio Lopes (bateria) e Jean Medeiros (guitarra). As gravações das faixas principais ocorreram no início de 2020, de modo analógico, no ForestLAB, em Petrópolis (RJ).

Ouça “The Moth – Before The Darkness”

Em entrevista para o Substantivo Plural, Fryer fala como aconteceu o encontro com o selo potiguar, sua relação com a cena musical daqui do Rio Grande do Norte e, claro, sobre suas influências e o processo de criação do seu disco de estreia. Confira:

Fryer, conta pra gente como aconteceu a ponte Piauí-RN, entre você e o selo Nightbird Records, e o convite para lançar o disco.

Então, toda essa parceria começou quando fui fazer o licenciamento das minhas composições pela Punks S/A e foi-me recomendada a Nightbird como selo. Também já tinha ouvido falar do selo através de amizades e pessoas em que tenho muita confiança. Acabei curtindo muito o catálogo e a eficiência do selo.

Você conhece os artistas e a cena daqui? Se identifica com algum trabalho?

Eu conheço algumas bandas do RN, sendo a mais famosa que já acompanhei o Far From Alaska. Até nos shows já fui, inclusive aqui em Teresina — e foi sensacional. Também conheço um pouco de Camarones. Quem me mostrou foi meu baterista, o Flávio Lopes, que acompanha um bocado a cena nacional, num geral, e conhece muitas bandas aqui do Nordeste.

Já que entramos no assunto de identificação, fale sobre influências e onde foi buscar inspiração para o novo trabalho.

Este trabalho foi pensado como um disco setentista de sete faixas, em um estilo que flerta entre a fase Diamond Dogs/Station to Station do Bowie com um pouco de post punk oitentista e algo do Nick Cave no início dos anos 90. Também é bastante inspirado na estética do cinema do Lynch, um pouco do Kubrick e um pouco de Dostoiévski e romances distópicos. É um álbum curto, mas há uma linha narrativa conceitual em toda a sua duração.

Você assina a capa do disco. Como é seu trampo visual e como ele se conecta com a música?

Meu trabalho visual se iniciou com a pintura, em 2016. Eu toco desde criança, mas as artes plásticas foram uma inclinação que descobri naturalmente mais recentemente. Inicialmente, trabalhei muito com pintura a óleo e pintura acrílica. Essa nova fase do meu trabalho tem permitido também explorar um pouco da colagem digital e da fotografia, o que contribuiu muito para que eu pudesse dialogar com a ideia conceitual do álbum no que diz respeito à identidade e aspectos psicológicos das personagens que habitam as músicas.

“The Moth – Before the Darkness” foi pré-produzido em 2019 e caiu como uma luva no drama que estamos vivendo em 2021 ou trata-se de uma obra atemporal e inerente à nossa realidade?

Inicialmente, o álbum tinha um conceito completamente voltado para uma realidade pré-pandemia, era algo mais aberto e mais amplo. No entanto, foi justamente na semana em que voltei da gravação das quatro faixas principais que foi declarada a pandemia, na metade de março de 2020. Nos meses que se seguiram, muito da realidade em volta de nós serviu para fechar o conceito nas faixas restantes e no material gráfico, se tornando algo mais próximo da claustrofobia do isolamento. Até mesmo as músicas já gravadas anteriormente tiveram as letras ressignificadas, trazendo reflexões que nem eu mesmo tinha ligado os pontos. Isso é algo muito interessante, como o conceito de obra aberta do Umberto Eco, onde ele diz que toda obra de arte é aberta a interpretações e significados diferentes.

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