Entrevista /Isaura Rosado

Por Sérgio Vilar e Adriana Amorim
Foto: Adriana Amorim
NO DIÁRIO DE NATAL

“O FEC foi o grande ganho dos últimos tempos”

A atual gestão cultural do Estado navega em outros mares. Se a maré está para peixe, não cabe aqui julgar. Fato é que há uma movimentação, um fazer. Intenções transformadas, aos poucos, em projetos concretos. A inércia de quatro anos da última administração e o legado de dívidas permanece na rota como arrecifes a serem desviados. Capitã da nau, Isaura Rosado tenta manter o prumo. Mas há tempestades e tentativas de mares nunca dantes navegados. E neste velejar, a cultura potiguar procura tocar o barco, sem enjoar.

Na entrevista a seguir, a equipe de O Poti/Diário de Natal questionou a gestora e foi voz de artistas, produtores e intelectuais na tentativa de abarcar as intenções da Secretaria para as diferentes manifestações das artes em 2012. Algumas surpresas vieram à tona. A mais surpreendente, talvez, seja o fim anunciado do projeto Seis & Meia, após 16 anos de existência. Muito foi dito em “off” para não ferir os brios de funcionários ou atrapalhar atividades artísticas, no melhor estilo da política da boavizinhança. A secretária fala de dívidas, projetos e metas.

********

Um balanço das realizações, reconhecendo, claro, falhas, em razão de dívidas passadas ou equívocos estratégicos.

Ampliamos a renúncia da Lei Câmara Cascudo de R$ 4 milhões para R$ 6 milhões, e a captação, de R$ 2 milhões para R$ 3,7 milhões. Foi criado o Fundo Estadual de Cultura, que deve disponibilizar, em 2012, entre R$ 12 e R$ 15 milhões – acho que foi o grande ganho dos últimos tempos para a cultura do Rio Grande do Norte.

Um parêntese: quando será formada a comissão para análise das propostas do FEC?

O Fundo precisa ser regulamentado. Será uma comissão paritária, com representação de todas as regiões do Estado. Já está havendo uma mobilização no interior.

Serão feitas câmaras setoriais?

Na realidade ainda não sentei para estudar o assunto. Vamos esperar a regulamentação.

A senhora iria comentar as dívidas.

Na dívida de R$ 8 milhões deixada pela última gestão, pagamos R$ 3 milhões, privilegiando artistas e atividades já executadas. Não pagamos fornecedores em geral nem editais sem execução. A execução orçamentária da FJA para 2012 cresceu em aproximadamente R$ 10 milhões (de R$ 20 para R$ 30 mi). Retomamos projetos cancelados ou suspensos: o Seis & Meia, a Orquestra Sinfônica, os Agentes de Leitura, a reforma da Biblioteca Câmara Cascudo (com verba federal de R$ 3 milhões, com metade do recurso já empenhado para este ano), a obra da Cidade da Criança (investimento de quase R$ 4 milhões, dos R$ 7 milhões previstos), retorno da revista Preá, funcionamento da Gráfica Manimbu#

O Seis & Meia foi retomado somente no último agosto e assistimos apenas três edições. Aproveitando pergunta do produtor Zé Dias, qual a perspectiva do projeto para 2012?

Utilizamos parte dos recursos do Seis & Meia no Agosto da Alegria. Há uma sensação de que o projeto cumpriu seu papel e não terá mais condições de ser executado. Artistas nacionais que recebiam cachê de R$ 5 mil recebem só com a bilheteria no Teatro Riachuelo entre R$ 30 mil e R$40 mil, a exemplo de Jessier Quirino. Não temos condições de competição. O projeto se tornou inviável. Precisamos reestudar a proposta para aproveitar os artistas da terra fora do Seis & Meia, em outros municípios e espaços culturais.

A Preá foi retomada com qualidade, proposta diferenciada (tematizada) e regularidade muito espaçada. É em função da melhor elaboração ou há problema de orçamento?

Seriam três edições em 2011 (foram publicadas duas). A última está pronta, mas não foi pra gráfica. A demora é em função da elaboração. E a última é porque chegou o fim do ano, quando o orçamento está praticamente encerrado. A ideia do editor Mário Ivo era lançar em janeiro. Mas aí quem não funciona neste mês é o Estado. Então, em fevereiro será lançada.

O veto da governadora Rosalba ao projeto de criação do Sistema de Bandas foi meramente um impasse jurídico? O projeto do deputado Mineiro será aprovado este ano?

Vamos criar não só o de bandas, mas o de museus e bibliotecas.

A Lei do Patrimônio Vivo está sendo cumprida? Por que não vemos a contrapartida exibida pelo Governo da apresentação pública dos grupos?

Está absolutamente em dia. Todos pagos. Agora, a FJA não encontrou ainda o caminho para reverter esses R$ 12 mil mensais pagos a esses mestres e grupos, em ação pública. Tivemos algumas tentativas. Mas não conseguimos estabelecer esse método. Quando o governo ajuda esses artistas também quer um retorno social de que essa arte se propague, se divulgue, se ensine e se multiplique.

Com base no Agosto da Alegria – carro chefe dos projetos da Secult – como a senhora avalia a política de eventos, considerando necessidades, custos e benefícios?

O evento é absolutamente necessário. Ele responde a questões econômicas e turísticas. Mas traz também um processo de formação de grupos e manifestações culturais. Por exemplo: foi extremamente produtivo o encontro de mamulengos do RN no Agosto da Alegria. Houve oficinas, presença de instituições federais ligadas ao tema, os grupos receberam indicativos para 2012, etc. Agora, claro, quando se traz Antônio Nóbrega, Paulinho da Viola, é um evento. Mas quem achar ruim vá lá ver a quantidade de gente presente. Mas no Agosto da Alegria várias ações foram feitas no sentido de reforçar essas manifestações.

A fórmula será diferente para o Agosto da Alegria em 2013, já que os R$ 600 mil do orçamento da primeira edição foram praticamente bancados pelo Estado?

Vamos inserir na lei Rouanet e dividir as ações com o Sesc, Sebrae e, como em 2011, fazer parcerias com outras gestões estaduais.

A senhora criou o Auto de Natal há uns 12 anos. Como a senhora vê, hoje, o investimento de mais de R$ 1 milhão para quatro dias de evento? A Secult pretende retomar os autos natalinos?

Há dois vieses nessa questão: os autos executados em Natal e Mossoró. Os de Mossoró tomaram rumos diferentes, com qualidade bastante diferenciada dos realizados em Natal. Quando criamos o auto – e o primeiro foi em Natal – foi para que fosse a ideia final de um processo de formação de artistas. Uma das características dele é quea cada dois anos a direção fosse mudada para que artistas da cidade tomassem contato com escolas diferenciadas de teatro. Em Mossoró trouxemos Amir Haddad, Fernando Bicudo, com tom mais operístico…

Abujamra…

Abujamra foi na implantação do Chuva de Bala. Aliás, fez uma encenação tão marcante que até hoje não se distancia da primeira. Então, essa era a proposta: trazer grandes diretores nacionais para trabalhar 30 ou 60 dias com os artistas da terra e culminasse com uma apresentação. E quando fosse embora ficasse esse contato com escolas diferenciadas no teatro brasileiro. Hoje já não é assim. Mas acho interessante porque não podemos enviar 200 a 300 artistas potiguares para trabalharem no Rio de Janeiro com esses diretores. Agora, concordo com você: o valor que se está investindo é muito alto. Não cabe no orçamento do Estado. Por exemplo: neste fim de ano só tivemos O Presente de Natal. Foram três apresentações, sendo duas prejudicadas, pela chuva e pelo incêndio. E os recursos investidos foram de R$ 400 mil, divididos entre Estado e Prefeitura. Seria caro até se acontecessem todas as apresentações! Que mantenhamos o espetáculo, mas em formato compatível com nossa realidade. Que gastemos R$ 1 milhão, mas para o mês inteiro de dezembro para servir de formação, e não em três dias.

RAMILLA SOUZA (jornalista): Em 2011, os grupos que participaram do Festival Agosto de Teatro no ano anterior cobraram o pagamento de seus trabalhos, que não havia sido feita pela última gestão na Fundação José Augusto. No início das negociações, vários artistas relataram que a Fundação ofereceu um acordo em que esses mesmos artistas receberiam o pagamento de seus trabalhos caso fizessem um novo trabalho para a FJA, que consistia em vários Autos natalinos no Estado. Minha pergunta é: a Fundação José Augusto e os demais envolvidos na gestão de Cultura do Governo atual desconsideram a pesquisa e o trabalho específico de cada grupo a ponto de homogeneizá-los em produções de autos natalinos? Em outras palavras, a visão dessa mesma gestão éque não há diferença entre um trabalho com pesquisa e estudo e outro de cunho religioso e voltado majoritariamente para entretenimento?

Sou mestra em educação e doutora em sociologia da educação. Então, a pesquisa, científica ou não, sempre foi a natureza da minha atividade.

QUITÉRIA KELLY (atriz): Das maiores dificuldades dos artistas potiguares têm sido a circulação de sua obra no próprio Estado. Um imenso repertório artístico arquivado. Por outro lado, municípios potiguares mantêm espaços culturais fechados, muitas vezes por falta de programação artística. Há projeto da Secult para fazer circular essas obras?

Concordo com ela. Os espaços estão disponíveis e o financiamento precisa aparecer. Não só circular a obra, mas um processo de formação e capacitação de artistas.

GIBSON MACHADO (professor e pesquisador cearamirinense): Qual a possibilidade de os Caboclinhos de Ceará-Mirim participarem do Festival de Olimpia (SP) em 2012, bancados pela FJA? E qual a situação do Museu Nilo Pereira? Pelo TAC deveria ser restaurado e entregue ao município.

O Festival de Olímpia convida e manda recursos. Agora, nunca ninguém pediu à FJA ou pelo menos não chegou a mim, mas acho que a cidade deveria apoiar. Quanto ao Museu, temos muitos problemas na parte da infraestrutura. Estamos com o Teatro de Mossoró e Caicó fechados. O Nilo Pereira está fechado há oito ou dez anos. O prédio do Museu foi cedido em comodato à FJA, mas há um pleito da usina de Geraldo Melo para retomar o imóvel. Houve esse Termo de Conduta, realmente, mas não tenho expectativa de resposta. O governo vai priorizar, em obras, a Cidade da Criança, a Biblioteca Câmara Cascudo, e os teatros de Mossoró (R$ 3 milhões) e Caicó (R$ 700 mil).

Ele pergunta ainda se há projeto para Casa de Cultura em Ceará-Mirim. Aproveitando: a Secult pretende dar continuidade à política de Casas de Cultura ou apostará mais nos Pontos de Cultura?

As Casas de Cultura são um projeto muito interessante, por várias razões. Secundariamente lembraria que os auditórios das Casas de Cultura são os melhores nos interiores. Eventos importantes na cidade são feitos lá. Outra: o projeto de instalação dessas Casas traz em si uma ação de preservação do patrimônio arquitetônico importantíssimo – as Casas são instaladas em monumentos históricos, hoje restaurados. Agora, a manutenção das Casas tem sido dificultosa. Na época de François (Silvestre), que foi quem criou o projeto, não funcionou, menos ainda na gestão passada. Então, talvez agora, com o Fundo, haja possibilidade com a definição de 50% do orçamento para o interior, de recursos que propiciem oficinas, circulação, apresentações, formação de autos e festas de padroeiro.

Há intenção de novas Casas de Cultura?

Temos 29 em funcionamento e 20 em obras iniciadas. Não iremos pensar em coisa nova antes de concluído esse processo.

Todas funcionam plenamente?

Não. Temos a informação de que a utilização da de Macau, por exemplo, está totalmente desvirtuada do propósito original (risos). E outras muito ativas. A de Santa Cruz tem até aula de balé clássico. Na de Currais Novos funciona um Ponto de Cultura. Precisa que a prefeitura ajude, também, porque só aberta com dois servidores, não dá. Que a Educação, a Ação Social e os artistas da cidade adotem a Casa.

MARCELO VENI (produtor cultural): O edital do carnaval não contempla outras sonoridades que não as carnavalescas, a exemplo da Chamada Carnavalesca do Rock, o Carnaval do Hip Hop e o Carnaval do Beco, ações com alguns anos de atividade (à exceção da última, do ano passado). Em Recife há o Rec Beat, em Salvador, o Palco do Rock, ambos bancados pelo governo no período…

O edital contempla festas carnavalescas, blocos, escolas de samba, tribos de índio, e outras opções. Não destaca essas. E eu acho que, se elas existem, conseguem se viabilizar sem o apoio do Governo. E amanhã ou depois, quem sabe consigamos ajudar. Mas esse é o primeiro ano do edital e preferimos as manifestações mais tradicionais, o que não impede de eles concorrerem no edital de festas pré e pós carnavalescas. Depende da condição e da demanda.

CASA DA RIBEIRA (instituição privada): Como articular o Rio Grande do Norte no Sistema Nacional de Cultura? Há um Plano Estadual de Cultura?

Durante todo o mês de janeiro o Estado discutirá o Plano Estadual de Cultura. Já fizemos a conferência regional de Currais Novos. No dia 10 de janeiro será a de Pau dos Ferros, dia 12 é Mossoró, dia 13 em Assu, dia 17 em Santa Cruz, dia 19 em Caicó, e dia 31 em João Câmara. A data de Natal ainda será definida. Essas conferências regionais já sucedem as municipais. E essas regionais culminarão com a Conferência Estadual, em março, para construção do Plano Estadual de Cultura.

RODRIGO BICO (ator e gestor de Ponto de Cultura): Há indicativo de pagamento da segunda parcela dos Pontos de Cultura e novo edital para pontos e pontões de cultura?

O recurso é federal e estamos aguardando. E há indicativo sim, de que teremos recursos este ano.

JOTA MOMBAÇA (poeta e performer): Considerando o interesse majoritário da FJA por manifestações artísticas mais tradicionais (para não dizer conservadoras), representado na exaustiva apropriação do que convencionou-se chamar de Cultura Popular, o que um artista ultracontemporâneo, que já foi antropofágico e agora beira a esquizofrenia, como eu, pode esperar desta instituição engessada em mofo e teias de aranha? E mais: o que se esconde por detrás desse descaso para com a arte contemporânea “potyguar”, que em geral se ocupa no pensamento de si mesma e de seu tempo?

É um discurso bonito (risos). Mas ele ficou de vir me ajudar, discutir o assunto e não apareceu. Mas no Agosto da Alegria incorporamos manifestações urbanas, modernas, a exemplo do hip hop. E vamos crescer nessa direção. Também é intenção trazer para a Fundação o Salão Abrahan Palatnik, com a arte tecnológica, hoje de responsabilidade da Fapern.

COLETIVO ES3 (de arte-performance): Como a Secult pretende atuar no campo da arte contemporânea em 2012, no tocante à gerência de recursos e apoio à crescente produção de pesquisa neste campo em Natal? De que maneira a secretaria temse valido de quórun, debates, e estratégias democráticas junto à classe artística do Estado para compor planificação e prospecção de investimento e ações para os próximos anos?

A nossa ideia é que quando formos discutir o regulamento do FEC seja reunido as diversas linguagens artísticas e culturais do Estado. Inclusive para definirmos o encaminhamento desses recursos para o apoio às ações diversas.

JEAN SARTIEF (poeta e performer): Queria saber da continuidade do Prêmio Abraham Palatinik e porque não há um investimento de verdade na Pinacoteca. Tudo aquilo precisa ser revisto. E é a mesma coisa de sempre: funcionários desqualificados do chão ao teto!

Concordo em gênero, número e grau. Mas não é só lá. Temos dificuldades com os servidores da FJA. Mas vamos procurar melhor qualificação.

PAULO LAGUARDIA (documentarista): 1) Foi realizada uma obra na então Sala de Grandes Atos, criando-se um espaço utilizado atualmente para shows, peças e até para exibição de filmes em DVDs. Por que não se fez na época (ou não se faz hoje) uma adaptação para projeção de filmes não somente na mídia DVD? O audiovisual tem esses espaços para a exibição do chamado “cinema de arte” em várias secretarias de cultura de estados e de prefeituras, mas aqui a realização não contemplou o nosso setor.

Acho excelente a ideia. De certa forma o TCP já faz parceria com o Cineclube Natal. E acho que isso deveria ser multiplicado nas Casas de Cultura. Não consegui fazer isso ainda. E recebemos mais de 200 documentários distribuídos pelo Ministério das Ciências e Tecnologias, mas não foram utilizados. Nenhum agente de cultura me solicita.

PAULO LAGUARDIA: 2) Não percebí na proposta recentemente aprovada do FEC (Fundo Estadual de Cultura), qualquer preocupação com o setor; se existe, provavelmente estásubentendida em alguma generalização, portanto, nada específico. Custava a FJA chamar as pessoas envolvidas com o audiovisual e também com os demais setores para discutir a proposta?

Não custa. E ele se prepare para vir nos ajudar.

PAULO LAGUARDIA: 3) Como assíduo frequentador dos cinemas de Natal, especialmente, dos antigos cinemas de arte, mas também do circuito, digamos, mais comercial, confesso que nunca me encontrei nesses anos todos, em qualquer sessão, com algum presidente ou ex-presidente da FJA. Isso significa que a FJA não gosta do audiovisual?

(risos) Gosto. Não me encontrei com ele, mas com muitas outras pessoas. E o setor tem uma forte defensora aqui dentro que é Danielle Brito, minha assessora direta, que quase manda em mim (risos).

FÁBIO DESILVA (cineasta): 1) Há algum projeto de edital específico ou algum plano de fomento para o audiovisual potiguar? Não vale colocar o FEC no meio. Porque, praticamente todas as unidades da federação tem um plano e procura fomentar o setor, menos o RN.

Acho que precisa ter. Considero que nesta área o RN está muito atrasado. E não é só no tratamento com as novas tecnologias. Os indicadores nacionais apontam o RN como o terceiro pior estado brasileiro de acesso à internet. Então, acho que precisamos melhorar tanto na tecnologia da produção do audiovisual, quanto no acesso às novas tecnologias. É uma área que demanda muita coisa, mas também recursos vultosos. Mas diga a els que esperamos que o FEC ajude em alguma coisa (risos).

FÁBIO DESILVA: 2) Gostaria de saber quando o governo vai pagar o prêmio Willian Cobbett e se vai dar continuidade ao único edital que contemplava o audiovisual.

O prêmio Willian Cobbett está no bojo de uma dívida de R$ 5 milhões que precisa ser discutida. Penso que devemos determinar um valor anual para cobertura desses recursos, porque não podemos repetir o ocorrido em 2011, retirando 50% dos recursos de investimento da FJA para pagar dívida passada. Devemos avançar dividindo esse débito em parcelas ou negociando. Os editais executados, com poucas exceções, já conseguimos pagar.

ESSSO ALENCAR (músico e presidente do Fórum Estadual de Cultura): Qual a política pensada pela instituição para os próximos anos na área de música?

Penso muito a questão da formação – a grande contribuição que o governo deve dar. Estamos organizando a escola de música daqui, a Waldemar de Almeida. No programa de governo da governadora há também uma abertura de escola em Caicó e Pau dos Ferros.

DIANA FONTES (diretora teatral e coreógrafa): A Cia. de Dança do Teatro Alberto Maranhão hoje representa com excelência a dança em nosso estado. Não está na hora de regularizar a Cia. com concurso público e profissionalizá-la?

A companhia de dança terá todo o tipo de apoio necessário pelo nível de excelência alcançado e pelo bem que representa ao RN. É o que posso dizer no momento.

ABIMAEL SILVA (editor e sebista): Qual será o destino de todos os livros do projeto Agentes de Leitura após a realização do projeto?

Os livros são patrimônio tombado. Então, respeitam as normas dosetor. Se o programa não for desativado – e acredito que seja renovado após um ano de realização -, os livros passarão a incorporar o patrimônio das bibliotecas. São 50 mil unidades.

ABIMAEL SILVA: 2) Com a volta do prêmio literário Câmara Cascudo, por que não em vez de premiar com dinheiro o vencedor, não publicar a obra e dividir a tiragem dos livros entre a FJA e o autor?

Deixe o prêmio em dinheiro porque o autor pode concorrer ao edital de publicação do livro depois e, assim, ser premiado duas vezes (risos).

TÁCITO COSTA (jornalista): O primeiro ano de gestão na cultura do Governo do Estado foi marcado, também, por reclamações e protestos do setor cultural por não ser ouvido nas ações planejadas e realizadas. O exemplo mais recente foi o projeto do Fundo Estadual de Cultura. Essa postura, que também ocorreu em outras áreas e parece ser uma política de governo, será mantida nos próximos anos pela FJA?

Acho que as pessoas não prestam atenção ao que estão dizendo. Isso que Tácito questiona se aplica ao FEC, mas não se aplica a outros setores. O edital para o ciclo junino foi amplamente divulgado e discutido. Para o carnaval já foram feitas duas reuniões, inclusive está posto para consulta pública a partir de hoje (quarta-feira). O edital Publicações ficou 15 dias exposto na internet e recebeu sete sugestões incorporadas ao edital. A sistemática de editais, como um todo, recebe manifestações. Então, é absolutamente democrático o processo trabalhado. Não foi discutido o FEC porque não sabia se seria encaminhado à Assembleia. Não podia criar expectativa para discussão de uma coisa da qual era incerta.

LUCIANO DANTAS (produtor cultural): Como a FJA faz para comprovar se a prestação de contas feita por projetos realizados é verdadeira e não um documento com dados falsos? As notas fiscais são checadas? Como comprovam se o declarado foi realmente pago? Ela conhece se há o uso de pessoas só para emitir notas que ajudem na prestação?

Isso é um espaço aberto em todas as administrações. Pensamos sobre o assunto e iremosdefinir com o governo do estado a melhor forma de avaliação dessas prestações.

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

3 × cinco =

ao topo