Entrevista – Jomardo Jomas (do Mada)


Se algumas músicas são cheias de gorduras trans e prejudicam a digestão dos tímpanos, outras alimentam a alma por pelo menos um segundo. E não importa se as guitarras são sujas e os sintetizadores causem algum estranhamento. A música é boa ao seu modo e cabe a experimentação. Quem deseja ousar, descobrir novos sons, começa hoje a 11ª edição do festival Música Alimento da Alma (Mada). E pela primeira vez, na versão compacta e mais dinâmica. Serão dois dias musicais entoados pela cadência regueira, pelos tambores viscerais do Mangue Beat, hip hop, pelo rock indie ou o pop in.

Desde a primeira edição no distante ano de 1998 foi assim: uma salada de ritmos e bandas estranhas ao público presente no Largo da Rua Chile, na Ribeira. No bairro histórico ou na Arena mais elitizada do Imirá (Via Costeira), a partir de 2004, a proposta do festival se manteve: abrir espaço para bandas novas. E foi assim que muitos dos partícipes despontaram no cenário nacional anos depois. A montagem do line-up deste ano aposta em algumas promessas de sucesso musical no eixo-maravilha do Sul, a exemplo da baiana Pitty – atração nas primeiras edições do Mada e que mais se tornou figurinha carimbada na MTV.

As apostas para este ano do produtor e idealizador do evento, Jomardo Jomas, inclui uma banda local e outra promessa surgida em Curitiba. Na entrevista a seguir, Jomardo conta alguns porquês da redução de três para dois dias, os motivos da mudança de datas e a redução inédita de orçamento.

Entrevista – Jomardo Jomas

Qual a maior conquista do Mada nestes 11 anos de evento?
Do primeiro ao último ano a ideia foi abrir espaço para novas bandas. Mantemos e manteremos essa proposta. A mudança é que, com o crescimento do festival, agregamos atrações nacionais ao evento e aumento das bandas locais. Ainda assim, 70% das participações são de bandas desconhecidas à maioria do público.

Como foi a logística de produção nas primeiras edições se comparada à de hoje?
O crescimento foi ano a ano e o aumento no orçamento foi considerável. Nas três primeiras edições tiramos dinheiro do nosso bolso. Um dos fatores fundamentais para este crescimento foram as leis de incentivo cultural que facilitaram a captação de recursos junto às empresas.

Outras mudanças como a redução dos dias de evento se deveu à queda no orçamento?
Quando comemoramos os 10 anos do evento já pensamos em um formato mais dinâmico e diminuir para dois dias. Com a redução do orçamento essa mudança foi forçada, mas já pensávamos nisso. Dessa maneira o público fica menos cansado com três dias de evento e comparece mais. E é também mais viável à coordenação do festival.

A captação de recursos pelo Mada através da Lei Câmara Cascudo era das maiores, próximo aos 400 mil? A redução foi de quanto?
A lei foi aprovada este ano com redução de orçamento e dificultou para nós a captação da mesma quantia junto às empresas. No ano anterior o orçamento foi de R$ 440 mil. Este ano reduziu para R$ 310 mil – uma diminuição significativa de quase 30.

Quais suas apostas de bandas participantes do evento deste ano com possibilidade de despontarem no cenário nacional?
A DuSouto (banda local capitaneada por Gustavo Lamartine e com Cd recentemente lançado, intitulado Malokero High Society) e a Copacabana Club (banda de pop-rock do Paraná).

E o porquê da mudança de datas? Houve a primeira quando passou de maio para agosto. Agora será em outubro…
Primeiramente procuramos fugir das chuvas de maio, mas encontramos os ventos de agosto e a possibilidade, mesmo menos, também das chuvas. Acho que outubro é o mês ideal: início do verão, tempo bom. Vamos firmar o evento, nos próximos anos, para este mês. A não ser que o Mada puxe as chuvas para outubro (risos).

Programação:

Hoje
20h30 – Carcará na Viagem (RN)
21h – MC Priguissa (RN)
21h30 – Calistoga (RN)
22h – Sick Life (RN)
22h30 – DuSouto (RN)
23h – Fungos Funk (MG)
23h30 – Chico Antronic Embola Dub (RN/SP)
0h – Natirutz (DF)
1h20 – Marcelo D2 (RJ)

Sábado
20h30 – Nublado (PB)
21h – Ganeshas (RJ)
21h30 – Tricor (RN)
22h – Sonic Júnior (AL)
22h30 – Lenzi Brothers (SC)
23h – Copacabana Club (PR)
23h40 – Ana Cañas (SP)
0h20 – Pitty (BA)
1h40 – Nação Zumbi e Otto (PE)

Festival Música Alimento da alma (Mada 2009)
Quando: Hoje e amanhã
Onde: Arena do Imirá, Via Costeira (Natal)
Ingressos à venda nas lojas Ecológica
Preços:
Individual R$ 20 (estudante) e clientes
da operadora Claro/Sony Ericcson
Temporada R$ 35 (estudante) e clientes Claro

* Entrevista publicada, em parte, nesta sexta-feira no Diário de Natal. Aqui, está na íntegra.

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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