Entrevista – Roberto Sadovski

Roberto Sadovski é jornalista potiguar, crítico de cinema e editor da revista Set, especializada em cinema e vídeo. É também um aficcionado por quadrinhos e debaterá junto com Moacy Cirne e a historiadora Milena Azevedo uma mesa-redonda sobre o tema na sexta-feira, dentro da programação do Goiamum Audiovisual. Segue a entrevista publicada hoje no Diário de Natal:

Qual fórmula – se é que existe – você usa para análise e crtítica de filmes?
Não sigo fórmula. O próprio cinema não segue. Não dá pra traduzir numa equação. Se analisa a parte técnica, a realização. Mas cada proposta é diferente. É mais reação emocional do que técnica. É por isso que não existe unanimidade.

Imaginei uma análise mais técnica da parte de especialistas…
A arte em geral é mais emoção. Tem que haver reação. Se o filme causar indiferença é porque é ruim.

Lembra de algum filme tecnicamente perfeito, mas sem impacto emocional?
Teria que pensar muito. São muitos filmes. Mas fazer cinema é muito difícil. O diretor precisa dominar técnica, coordenar equipe e saber montar uma narrativa interessante, que tenha significado. Não um significado necessariamente lógico, mas que possua um sentido emocional, psicológico.

O que achou da escolha de Salve Geral para representar o Brasil no Oscar?
Ainda não vi. Boa parte dos concorrentes ainda falta ser exibido comercialmente. Mas geralmente discordo da comissão. Desconheço qual o critério usado por eles. Parece esquisito. Escolhem pensando em qual filme a Academia irá se comover mais. E vemos a cada ano que não funciona assim. Eles escolhem o melhor mesmo. Ano passado Estômago era disparado o melhor, mas preferiram o Ônibus 174, um filme sem impacto nenhum.

Alguma dica de filme ao leitor?
Faço força e não vejo um que valha a pena sair de casa para assistir.

O que achou de Loki (documentário sobre a vida do ex-mutante Arnando Baptista)?
É interessanta, mas de repente virou moda documentário de músico brasileiro. O cinema brasileiro parece viver de ciclos. E esse é o da vez. Fizeram sobre o Ratos de Porão, o cara do Titãs, Simonal, daqui a pouco vem sobre Herbert Vianna.

Qual a sua análise da produção nacional? Ela favorece a realização de iniciativas como o Goiamum?
A produção é rica, embora pouco diversificada. Não se vê filmes de terror ou ficção científica, por exemplo. Precisa se renovar neste aspecto. E também assistir mais filme. Hoje são mais de 150 festivais de cinema no Brasil. Como as pessoas assistirão esses filmes depois? No Canal Brasil? Imagino que a preferência do diretor seja pelo cinema. Esse aspecto da distribuição também é pouco pensado.

Você participará de uma debate sobre adaptação de quadrinhos ao cinema. Qual o cenário para este viés? Qual quadrinho você gostaria de ver adaptado?
Passaria três dias falando. Os quadrinhos estão próximos do cinema pelo próprio formato. A adaptação é um filão viável. Deixou de ser mero acidente para se transformar em gênero. E não é como livro onde existe texto e se usa muito mais a imaginação interpretativa. No quadrinho há a imagem pronta. É, sem dúvida, uma proposta interessante; uma reeinterpretação de uma mídia diferente.

O formato do Goiamum é propositivo, diferente?
É um festival que se destaca, gera uma atividade maior e mais dinâmica. A iniciativa do Desentoca (exibição de curtas-metragens locais) é genial. São ações como essa que descobrem novos talentos; gente que pensa cinema de forma diferente. É um festival que abre espaço para gente que jamais teria chance de mostrar seu trabalho ou dialogar com pessoas que possam lhe ajudar de alguma forma. A ideia de produção numa praça pública também é interessante porque cinema é uma coisa coletiva, e o festival reproduz essa experiência.

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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