Entrevista/Art Spiegelman

artFolha – Vamos começar com essa coisa da autoanálise, então… É algo comum nos quadrinhos desde o underground dos anos 60, certo? Por que isso?

Spiegelman – Bem, não foi sempre assim. Até onde sei, começou com meu amigo Justin Green, que fez uma HQ chamada “Binky Brown Meets the Holy Virgin Mary” [1972], que ajudei a [revista] McSweeney’s a trazer de volta à luz. Na época, em meados dos anos 70, os quadrinhos underground eram muito autobiográficos, confessionais, chocantes de certa maneira. “Binky Brown”, que foi um dos primeiros trabalhos de Justin Green, teve uma grande influência sobre Robert Crumb, sobre mim, sobre Harvey Pekar e outros cartunistas, no sentido de começar com autobiografias. Nesse sentido, acho que é uma das origens dos quadrinhos contemporâneos, e talvez tenha sido uma resposta às décadas anteriores, em que os quadrinhos eram apresentados só como um produto industrial. [A autobiografia] era a manifestação mais clara dos quadrinhos como um meio de autoexpressão. Não eram a única maneira de fazer isso, mas a mais clara.

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