Entrevistas e Poesia

Poeta Regis Bonvicino

Acho que foi no ano de 2008 que tomei conhecimento de uma vertente minha, em meio à participação ativa e inquieta no mundo cultural/literário. Foi quando iniciei a tarefa alternativa de entrevistador. Fiz uma lista aleatória, com um bocado de bons escritores daqui e dalhures e segui em frente, disparando perguntas pra todo lado, usando sem moderação essa minha condição de curioso extremado. Essas entrevistas, em sua maior parte, foram feitas através de mensagens eletrônicas, e-mails, que voavam pelo país quase que semanalmente, em busca de palavras e palavras. Seus retornos eram sempre motivo de alegria e de descoberta fascinante.

Quase todas as entrevistas foram publicadas no site de Tácito Costa, o famoso Substantivo Plural (www.substantivoplural.com.br). Dia desses fiz mais uma, com um ótimo poeta nascido em Manaus, Diego Moraes. Essa recente conversa ainda está no ar.

Decidi que vou transcrever, também de forma aleatória, porém com alguma (sis)temática, itens dessas “perguntarias” e “respostarias”. Hoje trarei o tema da poesia, que vale a pena, claro. Depois, darei continuidade. Alguns escritores trataram assim:

– Há leis, hoje, para a poesia?

Regis Bonvicino: “Todo poeta maior, como Murilo Mendes, João Cabral ou Drummond, cria suas próprias “leis”, cria uma poética – que é menos uma “lei” – uma norma cogente – e mais uma constante dinâmica.”

– Que valor possui (ainda?) a rima para o poema?

Marcos Siscar: “Desde que não seja concebida como regra e, portanto, alheia à necessidade do poema, a rima (ou seja, uma certa semelhança sonora) é um dos diversos recursos que a poesia teve e ainda pode ter para constituir-se. O fato de ser um recurso tradicional não é impedimento para que seja reinventado, reinvestido.”

– A palavra ainda guarda soluções poéticas originais?

Cid Campos: “Vejo esta questão relacionando a palavra a outras mídias. Quando um poema que não foi feito para ser musicado é, por exemplo, mesclado à música, ganha um formato diferenciado, muitas vezes surpreendente, podendo dar novas dimensões ao seu conteúdo. Surge assim uma nova perspectiva de abordagem da palavra. O mesmo pode acontecer, desta forma intermidiática, com imagem, pintura e outras artes.”

– A poesia tem lhe acompanhado sempre?

Affonso Romano de Sant’Anna: “Sempre, mesmo quando estou distraído.”

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Texto publicado também na Tribuna do Norte

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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