Equipe do Novo Jornal ameaçada de morte

NOVO JORNAL

O ex-diretor do Instituto de Pesos e Medidas do RN, Augusto Caldas Targino, manteve em cárcere privado por 13 minutos, ameaçou de morte e agrediu verbalmente ontem uma equipe do NOVO JORNAL que produzia uma reportagem sobre a granja que o deputado federal João Maia disse que tentou comprar com o cheque de R$ 700 mil assinado por ele e apreendido pela Polícia Federal.

Mano Targino, como é conhecido o agressor, acusou a reportagem, mesmo sem estar presente na propriedade, de invadir a granja que pertence a ele, no município de Macaíba. Em momento algum, no entanto, a equipe do NOVO JORNAL sequer chegou perto do terreno de Targino, que agora, após lavrado o Boletim de Ocorrência, responderá a um inquérito criminal por injúria, ameaça de morte e cárcere privado.

No início da manhã de ontem, o repórter Rafael Duarte, o fotógrafo Ney Douglas e o motorista Clodoaldo Régis estiveram na granja de João Maia, localizada na rua Osnildo Targino, em Macaíba.

Por volta das 12h30, em frente ao terreno, a equipe foi abordada por um rapaz que se identificou como Samir. O jovem, que aparentava menos de 30 anos de idade, afi rmou que morava na propriedade vizinha, que pertence ao pai dele, o ex-delegado Raifi Targino, irmão do ex-diretor geral do Ipem.

“A granja do João Maia era do meu tio, Chuchu, que vendeu a ele há três anos. Meu pai não está em casa”, disse antes de ir embora. Como não havia com quem falar na residência da granja ao lado, a reportagem também deixou o local e sequer esboçou vontade de ir à granja de Mano Targino, que fi cava do outro lado da rua. Ao voltar para a redação do jornal, na Ribeira, o repórter foi informado que Mano Targino havia ligado para o diretor geral do NOVO JORNAL, Cassiano Arruda, pedindo explicações sobre a suposta invasão da granja dele.

A orientação era tentar contato com o ex-diretor do Ipem. Por telefone, a reportagem tentou desfazer o mal-entendido, mas não obteve sucesso.

Falando alto, Targino perguntou se a conversa poderia ser pessoalmente, no que foi consentido. A mesma equipe que visitou a granja, então, se dirigiu para a empresa dele, Patanegra, no endereço combinado, no bairro do Tirol. No local, além do ex-diretor do Ipem estavam mais dois homens. Um aparentava ser funcionário da loja e permaneceu calado enquanto o outro se identifi cou como ‘primo de Mano Targino’, e durante todo o tempo se posicionou em frente à porta de vidro do estabelecimento, trancada à chave a partir do momento em que a reportagem tentou deixar o local.

A conversa já começou em tom ríspido. Mano Targino sustentou a tese infundada de que a reportagem invadiu a granja dele sem sequer ter ido ao local. Com a negativa, o ex-diretor do Ipem iniciou o rosário de xingamentos e ameaças. Além de mentiroso, chamou o jornalista de “repórter vagabundo”, “filho da puta”, “corno” e continuou gritando impropérios.

Ele ainda disse que se estivesse na casa teria ‘quebrado a cara e as pernas de um repórter vagabundo dessa qualidade e de quem mais estivesse junto’. As ameaças não pararam mesmo com a reportagem insistindo para que a porta fosse aberta.

A certa altura, sempre gritando, Mano Targino afirmou que não temia jornalista. “Você não tem medo de mim, não? Pois eu quero ver se você não vai ter medo de mim!”, disse ao que o repórter o questionou: “o senhor está me ameaçando?”. A resposta veio pronta: “Entenda como você quiser, entenda como você quiser! Pode fotografar, pode fi lmar! Não tenho medo de jornalista não, de filho da puta nenhum. Eu sou homem de bem. Agora você só se deu bem porque eu não estava lá. Eu queria que eu estivesse em casa para um vagabundo como você entrar dentro na minha casa! Queria quebrar as pernas de murro. Quebro a sua ou de qualquer um, se um vagabundo da sua qualidade for lá. Vá de novo para você ver uma coisa, seu bosta”, ameaçou.

Em outro momento, ainda fora de si, o agressor falou em homicídio. “Não matei ninguém ainda, mas a lei daqui me dá direito a matar um ainda. É a constituição federal que me garante. Mato um, livro o flagrante e quem morre é quem se fode”, disse.

Após 13 minutos de amea- ças e trancados sem poder deixar o local, Mano Targino decidiu abrir a porta. Nervoso, não conseguiu acertar a chave e foi auxilia- do pelo ‘primo’. A reportagem deixou o local e foi direto para a 3ª DP, localizada no Alecrim, registrar o BO.

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Marcos Silva 19 de janeiro de 2011 17:42

    Mano Targino, Rua Osnildo Targino, Raifi Targino, o filho de Raifi (também Targino, comme il faut):
    “Um feudo
    e a esperança de não findá-lo.”
    (Sanderson Negreiros, “Os lances exatos”, Fábula fábula).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo