Era uma vez o Galo e seu tempo

Periódico de muito sucesso na comunidade literária potiguar até o início dos anos 00, eis que o clássico jornal “O Galo”, da Fundação José Augusto, está de volta, dessa vez comandado pelo competente jornalista e escritor Carlos de Souza. A última grande fase do “O Galo” foi conduzida pelos não menos competentes jornalistas-escritores Nelson Patriota e Tácito Costa, que sucederam a outra pessoa do mais alto nível, Marize Castro. Mas, já chega de elogios justos e vamos ao que interessa:

Para essa nova fase do jornal acontecer precisaram se unir a UBE- RN e a Fundação José Augusto, (parabéns para Rodrigo Bico e Roberto Lima). Ainda é cedo para se dizer se a união vai comprometer ou não a edição do jornal do ponto de vista editorial. Acredito que o tabloide não deverá priorizar apenas os escritores da UBE-RN; (o relançamento está bastante eclético) se tal ocorresse, seria uma injustiça com o restante da comunidade literária e um grande problema para o editor Carlos de Souza resolver, sobretudo num momento que vivemos, de grande euforia literária no Estado. Nunca se publicou tanto como agora; há uma verdadeira fase de renovação, continuação, divulgação e valorização da nossa literatura em várias esferas.

Na nova edição, o jornal vem com muitos escritores do primeiro time da literatura potiguar na atualidade, especialmente representando a nova geração. Nomes como os de Lívio Oliveira, Carmen Vasconcelos, que já participaram do “O Galo” em outras épocas; Cefas Carvalho, também está na edição, que, além dos mais experientes, na labuta literária há mais de trinta anos, representados aqui por José de Castro, Horácio Paiva e Roberto Lima, traz novíssimos nomes, como os de Cellina Muniz, Alexis Peixoto e Gilvania Machado.

Gostei de algumas matérias que me remeteram às antigas edições, eu coleciono os números anteriores. A entrevista com Marize Castro, por exemplo, é um documento literário muito importante para se conservar para o futuro. Iracema Macedo, poeta de valor, no mesmo nível de Marize Castro, está de volta aos nossos periódicos com bons poemas, que a fizeram ser a mantenedora da nossa tradição poética. Jeanne Araújo, que vem justamente da excelente safra de poetas do Seridó, também está com um poema muito bom no jornal.

Enfim, o jornal está com momentos bons, mas, senti falta da turma da velha guarda, que ainda marcha produzindo, sobretudo os da própria geração do Carlos de Souza, que poderiam estar presente.

O que eu, também, senti falta nessa nova fase comparada à antiga, foi de mais imagens, de fotografias, que eram muito comuns na fase anterior, bem como a seção onde indicava os principais lançamentos da nossa literatura. Pequenas coisas, essas, que podem com certeza ser supridas depois, juntamente com outras novas ideias.

De qualquer forma é motivo de alegria para toda a comunidade literária ter “O Galo” de volta, pois representa muito para a nossa cultura literária além de ter um valor simbólico imenso. “O Galo” é um documento de uma época, muito importante, inclusive com jovens alunos da UFRN já interessados em fazer estudos-pesquisas sobre ele.

A nova fase do jornal vem para somar com o novo boom literário que acontece atualmente no Estado.

Portanto, long live the king “O Galo”

Thiago Gonzaga é pesquisador, autor de “A Presença do Negro na Literatura Potiguar” e outros livros. Atual editor da Revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

Escritor, pesquisador da literatura potiguar e um amante dos livros. Editor da revista da Academia Norte-riograndense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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