“Era uma vez…”

Por Tácito Costa

Pai foi um empreendedor. Ao jeito dele. No tempo em que este vocábulo não havia sido descoberto. Vendo em retrospecto, mais para aventureiro. Em alguns desses empreendimentos eu estava metido, como por exemplo, na pequena criação de vacas, em curral a poucos metros da casa onde morávamos em Santana do Matos.

A recordação invadiu-me de imediato vendo as fotos do livro-documentário de Marcelo Buainain, “Era uma vez…”, que será lançado nesta quinta-feira, 11, às 19 horas, na Pinacoteca. A obra documenta através da fotografia a saga dos jumentos nordestinos, hoje em via de extinção.

Todas as fotos me são muito familiares, sobretudo a da última capa, onde um menino de seus seis, sete anos está montado num jumento. De calção, sem camisa e de chinela “japonesa”.

Identifiquei-me de imediato. A caminho do açude Alecrim, indo dar água as vacas. Traquino, como todo menino, uma vez tangi uma das vaquinhas para dentro de um buraco com lama, na beira do açude, só pra ver se ela conseguiria sair. Não conseguiu, ficou atolada até o pescoço e meu pai foi chamado pra retirar o animal, estranhando demais como é que ele tinha ido parar ali. E eu desconfiado, com medo de perder o posto importantíssimo pra mim de “vaqueiro” e levar aqueles carões, disse que não sabia como isso tinha acontecido.

Minha história com jumentos inclui também uma queda, quando um dia no caminho do curral, o cabresto se rompeu e o bicho desembestou e eu fui ao chão, felizmente sem maiores consequências.

São essas lembranças adoráveis que o belo livro de Buainain suscitaram-me. Recordações de um mundo que agora só existe em registros como os de “Era uma vez…”.

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. João da Mata 14 de dezembro de 2014 12:52

    Belíssima exposição. Emocionante, o burro é quem trabalha. Tá de parabéns o Marcelo.

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