Erramos, erraram

Por Janio de Freitas
FSP

Por motivo obscuro, a restrição à imprensa em Pinheirinho ficou alheia às narrativas da “barbárie”

As fotos e vídeos de Pinheirinho que horrorizaram com o que a própria presidente da República chamou de “barbárie” (do que se espera, portanto, alguma providência de governo) foram obtidos apesar da proibição, pela PM, de entrada de jornalistas na área da ação policial. Por algum motivo obscuro, que pode ser, por exemplo, a grande e permanente preocupação com restrições à imprensa em outros países, sejam ou não verdadeiras, o impedimento ao trabalho dos repórteres em Pinheirinho ficou alheio às narrativas da “barbárie”.

A censura policial tornou-se notícia no quinto dia depois de imposta, na quinta página do caderno “Cotidiano” da Folha, em trabalho bem realizado por Jean-Philip Struck.

Além das armas de ataque físico e da arma ilegal que é a censura, a PM paulista armou-se também com a mentira. Em diferentes ocasiões, foi dito que à imprensa estava “dada liberdade total” para a cobertura de Pinheirinho, na expressão reproduzida por Struck. O mesmo disseram, inclusive, autoridades do governo paulista.

O coronel Manuel Messias, da PM, mentiu com gravidade ao menos duas vezes em curta entrevista. Dissera que a PM só usou gás lacrimogêneo contra os moradores de Pinheirinho, o que era mentira. Foi refutado por uma repórter da CBN, com a referência a tiros de borracha e consequentes feridos. Messias retrucou, com certo deboche, que esses tiros fazem “só vermelhidão”, o que é mentira. Ferem, e podem fazê-lo com muito perigo a depender do lugar atingido. Conviria a Messias acautelar-se, para não se tornar coronel de mentira.

No outro acontecimento horrorizante da semana, a liberdade de imprensa foi levada ao anedótico na maioria do noticiário estrangeiro, sobre os desabamentos no Rio, por grandes meios de comunicação. Ligar os riscos dos estádios da Copa aos três desabamentos é muito mais do que leviandade. Mas tem sido um lugar-comum na imprensa e em telejornais americanos e europeus.

O “Wall Street Journal”, especialista em cifrões, concluiu, a propósito do desabamento, que a infraestrutura do Rio está se desmanchando. Às vésperas da Copa. A CNN incluiu até a Petrobras no noticiário do desastre. Salvam-se mais ou menos os de sempre: o “Guardian” inglês, o velho “Le Monde”, mais um outro europeu e alguns latino-americanos.

Em contraste, fiquemos tranquilos quanto aos correspondentes brasileiros no exterior. Na grande maioria, são sérios e competentes.

RESPOSTA

A compra do controle da Net pelo mexicano Carlos Slim responde em definitivo, enfim, a quase oito anos de curiosidade: o que poderia fazer com que José Dirceu, tão logo saído do governo, ficasse ligado ao homem tido como o mais rico do mundo?

Ao se arrefecerem as luzes do governo Lula e, sobretudo, da permanência de Ronaldo Sardenberg na Anatel, a Agência Nacional de Telecomunicações, foi emitida a nova lei do setor. Trazia uma delicada inovação: a que permite propriedades estrangeiras como, agora, a da Net.

A FALTA

Graça Foster na Petrobras, ótimo. José Eduardo Dutra livra-se do câncer e vai acompanhar Graça Foster, ótimo. Marco Antonio Raupp, cientista da área de pesquisas espaciais, no Ministério da Ciência e Tecnologia, ótimo. Aloysio Mercadante, e não um indicado por político ou pelo PT, no Ministério da Educação, ótimo. O líder do PMDB Henrique Eduardo Alves desacata Dilma Rousseff e se estrepa, o seu Dnocs entra na limpeza, ótimo.

Mas não há como conciliar tais decisões com a permanência de Fernando Bezerra no Ministério da Integração e de Mário Negromonte no das Cidades.

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