ESCANINHO

Por Carlos Gurgel

por acaso
procuras pelo dia
como se fora
forasteiro
de uma mesma avaria ?

ou escondes
pelo escaninho
tua sombra
que te abandonas ?

por acaso
vês crostas e carinhos?
consegues caminhar
por entre
suas sanhas e escândalos?

vês
ao redor do rio
a lua que acusastes?
como uma escória
que se alimenta
por sobre seu corpo imundo
e encravado de trevas?

por acaso
vês
pelo trilho da rua
as tuas vestes
que já não conseguem
a permanência
das suas cinzas e esquinas ?

ou
já não percebes
que a vida
assim
como a sua retina
requer
uma cortina
sortida de sáfaros e réstias ?

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