Esclarecimentos de Foca

Resposta de Anderson Foca ao post “there’s no business like show business, I know“, de Jota Mombaça – mais abaixo:

Cabra. Alguns pontos são importantes esclarecer, a parte das teorias conspiratórias já estou bem acostumado no esquema “desconfie dos bons elementos”.

1) Eu não sou empresário, e qualquer pessoa que me conhece por cinco minutos sabe disso. Sou músico, produzo discos e trabalho com música full time.

2)Você fala de associar a causa do bairro a nossa causa própria e eu te digo que nos meus 15 anos de shows produzidos na Ribeira tenho todo o direito (e também o dever) de faze-lo, não por conta da sugestão grosseira de demagogia que você insinua. Tenho história para contar de atividades no bairro, tenho passado, presente e futuro por lá. Não vou enumera-las aqui porque, convenhamos, não é necessário. Tenho cartaz de show undergorund aqui na minha frente de 96 e cartaz da última edição do Festival Dosol com importância igual para nós (dosol). Demagogia…

3) Eu não incensei o texto com números porque eu sou o cara mais escroto do mundo querendo dominar geral, como você insinua (aqui nesse texto e onde pode, como já li em outras ocasiões por aí). Fiz isso porque diferente de você que frequenta a ribeira, muito gente se quer sabe do que está acontecendo por lá e sim, precisamos de ajuda de geral para que atividades como a nossa e outras tantas possam continuar acontecendo. A polícia só foi nesta edição (não foi nas outras) porque achava que dava 300 gatos pingados por lá. Precisei mostrar um vídeo para eles para provar o fluxo de gente.

4) Você atinge níveis de canalhice analítica máxima quando nos coloca (sim, coloca todo mundo que tem algum estabelecimento na Ribeira na seara dos empresários canalhas), usando argumentos confusos e repetitivos do que eu escrevi. Resumindo, lê, interpreta do seu jeito e julga sem argumento algum, deixando só sua intuição falar por si. É muito fácil escrever assim. Vem montar uma mês de show no Centro Cultural Dosol para você ver o tamanho real do problema? Topa? Arca? Empreende? Possivelmente não.

5) Eu não vou me retirar nunca da luta pela cultura. Luto do meu jeito. Pode espernear e morrer de criticar “os empresários canalhas”. Sabemos do tamanho do nosso teto de vidro. Se você atua alguém reage e é assim desde sempre em qualquer área. Na cultural ainda existe o elemento “desilusão” que amplia essa reação. Muito normal.

6) Você desconhece o projeto, não tem a menor capacidade de analisa-lo. O que posso te dizer, para você que não sabe é que não escolhemos a programação e não pagamos diretamente os artistas. Pagamos os espaços (de acordo com os orçamentos previstos no projeto) e as casas é que fazem as suas contratações. Na loucura e apostando que podemos conseguir outros financiamentos te digo que nossos 150.000 vão acabar em julho e nós, junto com os outros espaços “de empresários canalhas da ribeira”, estamos dando um jeito (independente de vir outras verbas) da atividade ir até outubro.

Só 20% das atividade do Dosol vem de alguma lei de incentivo. Usamos elas por seis anos e estamos habilitados e aprovados em todas as nossas prestações de conta. Só se usa a lei com alguma continuidade quem tem essa condição perante o governo. Se informe, mas acho que isso responde sua pergunta. Isso encerra o assunto “posta no blog as contas”, reivindicação bem amadora por sinal.

Pode chamar de demagogia, de elitista, do que você quiser (parece ser uma premissa do que você escreve desqualificar quem quer que seja), mas se você não concorda com o que está sendo feito, o que você estava fazendo vendo o incrível show dos Bonnies no Circuito? Eu não participo do que eu não concordo até para poder criticar com veemência.

7) Por fim. Ache o que você quiser, puxe a corda pro lado que você achar que deve e seja feliz. Com o bom texto que você tem, sinceramente poderia estar perdendo tempo escrevendo coisa melhor. Abraço.

Aos leitores: esse rapaz adora confrontar vitórias, boas novas e afins. Típico troll de internet. Já vi outras iniciativas sendo vítima desse prazer bizarro dele, acho que o Talma&Gadelha foi um dos exemplos recentes…

Só postei uma resposta por respeito ao espaço excelente e formador de opinião de Tácito. Até.

Comentários

Há 7 comentários para esta postagem
  1. Maria Amélia da Silva 13 de junho de 2011 10:58

    Aqui em Natal, no meio cultural, quando alguém dá certo não é considerado um empreendedor e sim ladrão de verba. Sempre tem gente fazendo as contas. Com esse valor daria pra fazer dez outras coisas…
    Quer dizer, o produtor cultural faz todo o trabalho e tal, mas não pode ganhar por isso por que é feio, gera desconfiança. E ele, antes de mais nada, é um empresário (adoro essa palavra, em natal todo mundo é um empresário do tipo, se você não é o mocinho então e o bandido).
    O projeto é ótimo e deveria ser abraçado por outras instituições, quem sabe um dia a cidade tenha um mecenas para se engajar no Circuito – coisa muitíssimo difícil…

  2. Jota Mombaça 10 de junho de 2011 3:40

    Eu, então, Alex de Souza, sugiro que a transparência se alargue, e se mostre também a nós, que somos desburocratizados e que, por tabela, pagamos também pela realização destes projetos. Quero entender o que não entendo e, se a relação produção-verba-transparência é mesmo limpa, por que não divulgá-la abertamente? É comum que ouçamos sobre a nebulosidade destas relações com leis de incentivo e tralha e tal, da forma como essa grana que as empresas privadas oferecem a produtores (que, mesmo sendo músicos, são empresários) é mal-regulada pelo estado.

    A propósito da vida longa ao circuito, cumpre perceber (só os inteligentes): que a minha crítica não é à empresa, mas ao discurso da empresa e aí a empresa só se suja porque a carapuça serve. [abordarei com mais atenção esse ponto em texto futuro]

    Quanto aos noiados da ribeira & alhures, cumpre discutir o projeto de revitalização da ribeira [e eu também abordarei com mais atenção esse ponto depois]

  3. plinio sanderson 9 de junho de 2011 19:11

    “pagamos os espaços (de acordo com os orçamentos previstos no projeto) e as casas é que fazem as suas contratações”. sei não… se são públicas, pelas transparências das contas. contra as ingenuidades, só podemos criticar com subsídios insofismáveis quando conhecemos e participamos deveras! vida longa ao circuito & aos noiados da ribeira & alhures!

  4. foca 9 de junho de 2011 18:07

    é por ai alex. Mombaça, é isso.

  5. Alex de Souza 9 de junho de 2011 14:51

    O empreendedor cultural tem obrigação de prestar contas do dinheiro público. E o faz para o órgão que liberou a grana, no caso o Ministério da Cultura. Sugiro, Mombaça, entrar em contato com eles, ou o Tribunal de Contas da União.

  6. Jota Mombaça 9 de junho de 2011 11:18

    Não, Anderson Foca, a breve e superficial abordagem quanto ao trânsito monetário que envolve o Circuito Ribeira não sacia a minha sede de quebrar a cara conferindo, com cuidado, a transparente e lima prestação de contas de sua empresa para com a sociedade. Continuo esperando.

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