Escolinha da professora Micarla

De Cassiano Arruda, em sua coluna de hoje no Novo Jornal:

Um ano depois de ter prometido um “choque de gestão” na Prefeitura de Natal, a prefeita Micarla de Souza dá demonstração que deseja dar prosseguimento a um compromisso de campanha.

Escudada na marca das Fundação Getúlio Vargas a Prefeita de Natal pretende passar dois dias reunida com o seu secretariado para avaliar o desempenho dos seus auxiliares, tentar harmonizar a equipe e melhorar o desempenho dos gestores municipais, num seminário chamado de Imersão de Gestão.

Antes de conceder franquias para o desenvolvimento de projetos com a sua grife, a Fundação Getúlio Vargas andou por Natal. Essa história tem exatos 40 anos.

Numa época em que Ponta Negra era só uma praia de veraneio e não dispunha de nenhum hotel, a clarividência de d. Eugênio de Araújo criou um Centro de Treinamento da Arquidiocese.

Foi lá que o governador-escolhido Cortez Pereira entregou aos técnicos da Fundação Getúlio Vargas a tarefa de promover um curso de como governar. A sugestão foi do então Secretário de Administração, Joanilson de Paula Rego, que havia concluído um curso de mestrado em Administração Pública.

A repercussão não pode ser melhor. Afinal de contas, na época do Brasil Grande havia um Governo que se iniciava sob a égide da modernidade, tentando incorporar modernas técnicas para renovar a administração estadual.

Para se ter uma idéia de como funcionou essa iniciativa, o jornal O Globo, do Rio de Janeiro deu um editorial para elogiar a iniciativa, numa época em que o papel do jornal era basicamente elogiar.

Vale registrar que um dos partícipes da Imersão é sobrevivente do Curso do Secretariado, Augusto Carlos Viveiros.

Ele – assim como o autor dessas linhas – podem dar um testemunho de que governar não se aprende na escola. Imaginar que a contratação de professores e técnicos para oferecer receitas de como fazer não bastam para se atingir bons resultados administrativos.

Imaginar que a Fundação Getúlio Vargas, sozinha, é capaz de resolver problema administrativos ou políticos é perda de tempo. Ninguém votou nessa instituição nem nos seus representantes.

Buscar ferramentas para cumprir o seu papel é um ato elogiável, mas a prefeita Micarla de Souza pode buscar a lição do passado para não repetir equívocos de um políticos com visão adiante do seu tempo e cuja obra permanece em muitos projetos criativos que deixou. Mas que esqueceu de superar pequenos problemas que terminaram encurtando a sua carreira política.

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