Escuridão

Parece que um desses ministros aí, um que responde pelo sobrenome Lobão (“décadence avec élégance”), andou explicando que um problema na subestação Luiz Gonzaga, que fica no município de Jatobá/PE, foi a provável causa do apagão que ocorreu durante a madrugada desta quarta-feira.

Meu filho de 13 anos – que havia acordado para ir ao banheiro – olhava, ontem, pela janela do apartamento e dizia:

– Papai, eu nunca vi uma escuridão desse tamanho! Olha! Só tem umas luzinhas acesas!

Ao que eu respondi:

– Meu filho, é isso mesmo. É o medievo dando sinais de refluxo histórico. E são muitos os sinais….

Ao que o meu filho apenas pontuou:

– Ah! É? Então, boa noite, papai!

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. Aline Patricia 4 de fevereiro de 2011 18:58

    Quando fui engolida pelo apagão, estava escrevendo um texto, mais que empolgada. O susto foi tamanho que nem lembro mais do que se tratava, perdi-o, simplesmente, e só tive dimensão do ocorrido hoje de manhã cedo, quando li no Twitter que o Nordeste quase todo havia sido atingido..
    Tive que ir dormir mais cedo, bem mais cedo do que o habitual e acordei no meio da madrugada, uma 3/4 horas, com a luz do quarto acesa. rs
    No texto, o que mais chama atenção é a ingenuidade com que a criança encara a situação, vai dormir, impressionado com a escuridão jamais vista, mas mantendo a tranquilidade que eu e muitos outros não tiveram…

    Abraços 🙂

  2. Ednar Andrade 4 de fevereiro de 2011 14:04

    Maravilha Lívio. Que bom, hein? Quando não há, em nossa consciência, nenhum medo, então dizemos – em paz me deito.

    Por aqui também foi tumultuado. Mas, confesso que em meio a escuridão e desconforto, pude observar a inimitável obra, o espetáculo que ficou o céu; aqui no sítio a escuridão é quase festa,deu para fazer uma tentativa de contar as estrelas.

    E aqui lembro-me de Olavo Bilac:

    Ouvir Estrelas
    “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
    Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
    Que, para ouvi-las muita vez desperto
    E abro as janelas, pálido de espanto…

    E conversamos toda noite, enquanto
    A Via Láctea, como um pálio aberto,
    Cintila. E, ao vir o sol, saudoso e em pranto,
    Inda as procuro pelo céu deserto.

    Direis agora: “Tresloucado amigo!
    Que conversas com elas? Que sentido
    Tem o que dizes, quando não estão contigo?”

    E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
    Pois só quem ama pode ter ouvido
    Capaz de ouvir e de entender estrelas”.

    (Olavo Bilac)

    Beijos, querido e um abraço para o teu filho.

  3. Ednar Andrade 4 de fevereiro de 2011 13:34

    Maravilha Lívio. Que bom, hein? Quando não há, em nossa consciência, nenhum medo, então dizemos – em paz me deito.

    Por aqui também foi tumultuado. Mas, confesso que em meio a escuridão e desconforto, pude observar a inimitável obra, o espetáculo que ficou o céu; aqui no sítio a escuridão é quase festa,deu para fazer uma tentativa de contar as estrelas.

    Beijos, querido e um abraço para o teu filho.

  4. Marcos Silva 4 de fevereiro de 2011 12:31

    Lívio:

    Ocorrem apagões em diferentes partes do mundo. Não sei a razão de esse ministro dizer que não foi apagão, embora tenha apagado tudo. Ficamos combinados: foi apagão mas chamaremos de breu profundo.

    Marcos Silva

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