Esguio Propósito

Centenário de Candido Portinari (1903- 1962).
Exposição na Sala Conviv´art, Solar João Galvão e Praia Shopping.
Curadores: João da Mata e João Natal

O Esguio Propósito / Carlos Drummond de Andrade

Caniço de pesca
fisgando no ar,
gafanhoto montado
em corcel magriz,
espectro de grilo
cingindo loriga,
fio de linha
à brisa torcido,
relâmpago
ingênuo
furor
de solitárias horas indormidas
quando o projeto invade a noite obscura.

Esporeia
O cavalo,
Esporeia
O sem fim

Candido Torquato Portinari

Filho de imigrantes italianos- o segundo de uma de uma prole de doze -, nasceu em Brodósqui ( zona cafeeira de São Paulo) aos 29 de dezembro de 1903 e desde a primeira infância mostrou vocação para o desenho. Em 1912, ajuda na decoração da pequena igreja de Brodósqui, pintando estrelas nas paredes e no teto do templo. “Entre o cafezal e o sonho”, o garoto ganha o mundo e pinta com a mesma desenvoltura painéis históricos, cenas épicas, o retirante nordestino, meninos brincando e centenas de retratos de pessoas amigas, de intelectuais e da elite brasileira. Através de todas essas fases, entretanto, nunca foi esquecido o menino de Brodósqui. Foi esse menino empinando coruja, pulando carniça que inspirou o artista plástico João Natal a trabalhar e pensar a temática do menino e do trabalho em Portinatal. Uma esguia forma de homenagear o eterno menino de cada um de nós, e que alcançou em Portinari a poesia do traço e das cores de um azul pontilhado de estrelas que adorna a capela de Brodósqui. O azul de Portinari e suas luvas amarelas são as cores de um Brasil que está a ser reinventado. Durante algumas décadas do século XX o nome de Portinari foi sinônimo de Pintura do Brasil. É nosso “esguio propósito” homenagear esse artista fundamental na compreensão da cultura brasileira. Como participação nas comemorações do seu centenário escolhemos algumas facetas do múltiplo Portinari: o retratista, o ilustrador e o biografado. Portinari ilustrou vários livros: Memorias Posthumas de Braz Cubas de Machado de Assis ( Primeiro título da coleção dos Cem Bibliófilos, 1943), Metamorfose (1944) de Murilo Mendes e Presença de Santa Teresinha ( 1934) de Ribeiro Couto. Os desenhos feitos para ilustrar uma edição das memórias de Hans Staden ( séc. XVI) e para ilustrar uma edição do Dom Quixote de la Mancha ( séc. XVII) não foram aproveitados nas edições a que se destinavam, e os desenhos foram depois publicados em edições especiais presentes nessa exposição. A coleção dos 21 desenhos, em lápis de cor, da série Dom Quixote ( 1956) fazem parte do acervo da Fundação Castro Maya, Museu Chácara do Céu, e podem ser apreciados nessa exposição em reproduções com os tamanhos e cores originais. Os desenhos de série Hans Staden foram publicados no livro “Portinari devora Hans Staden” (Editora Terceiro Nome , SP 1998).

João da Mata Costa
DFTE- UFRN

Módulo I -Portinari Ilustrador

Série Dom Quixote – Miguel de Cervantes

1- D. Quixote e Sancho Pança saindo para Suas Aventuras [1956]

Desenho a lápis de cor/cartão
28,5 x 21,5cm
Rio de Janeiro, RJ

Desenho Original : Museus Castro Maya, Rio de Janeiro, RJ

2- D. Quixote Arremetendo contra o Moinho de Vento [1956]

Desenho a lápis de cor/cartão
29 x 35cm
Rio de Janeiro, RJ

Original : Museus Castro Maya, Rio de Janeiro, RJ

Desenhos para Memorias Posthumas de Braz Cubas ( 1943) – Machado de Assis- Ed. Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil

3- A Flor da Moita –

4- A casinha

Desenhos para Metamorfose ( 1944) – Murilo Mendes

5- Poema lírico- Amiga , Amiga ! De braço dado atravessamos o arco-íris

6- Cavalos- Os finos Cavalos azuis relincham para os aviões

Ilustrações para o livro Presença de Santa Teresinha ( 1934) –
Ribeiro Couto

7- Manhã de Lisieux

8- Confissão do Profano reconhecimento

Ilustrações para o livro Maria Rosa de Vera Kelsey

9 – Maria Rosa [ 1941]
Desenho a guache e nanquim
pincel/papel 25 x 28,5cm
Washington, D.C.
Coleção particular, Fortaleza,CE

10 – Circo [1941]
Desenho a guache e nanquim
pincel/papel 25 x 28,5cm
Washington, D.C.
Coleção particular, Fortaleza,CE

Ilustrações para o livro Menino de Engenho – José Lins do Rego
Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil

11- O Namoro do menino de Engenho
água forte e água tinta

12- Menino a chupar Cana
água forte

Módulo II – Portinari Biografado

Callado, Antônio – Retratos de Portinari RJ 1979
Kent, Rockwell – Portinari his life and art – Chicago USA
Portinari , Antônio – Portinari Menino RJ 1980
Portinari, Candido annateresa fabris edusp 1996

Módulo III- Portinari Retratista

Entre os mais de 600 retratos pintados por Portinari, selecionamos algumas reproduções de artistas representativos das artes e literatura brasileira: Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Pagu , Carlos Drummond de Andrade e José Lins do Rego.

Módulo IV- PortiNatal

Re-leitura de Portinari pelo artista plástico e educador João Natal dos temas: meninos e trabalho – Pinturas , Escultura e Instalação

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Comments

There is 1 comment for this article
  1. Marcos Silva
    Marcos Silva 23 de Novembro de 2010 6:19

    Amigos e amigas:

    Ver Portinari é uma experiência de peso. Sua pintura (ou o desenho, a gravura etc.) tem um viés solene, de extrema capacidade técnica. A identificação de um recorte clássico no trabalho de Portinari levou parte da crítica a tratá-lo como artista menor, o que considero grande equívoco. Por outro lado, esse teor clássico é uma faceta associada a buscas de modernidade. Na Literatura brasileira, penso que Cecília Meireles e Graciliano Ramos fizeram percursos paralelos – no RN, Esmeraldo Siqueira pertence ao bando.
    É uma exposição para se visitar várias vezes.
    Abraços:

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