ESPÍRITO DESVIANTE

Por Carito

o que não me fere
mas logo me devora
me traz a desordem
fuga, fluido, dispersão

não mede esforço
para impregnar-me
das coisas mais
vagas

cospe poesia, fumaça
areia, esturro, sedação
minha boca é sorvida
pelo seu arfar

e joga contra os recifes
vinte mil palavras bonitas
navega sílabas náufragas
pedaços do meu pensar

espatifa a estrutura trafegável
escandaliza peixes e capitães
e pesca gritos do fundo
do mar

liberta frases e corta linhas
prefere os anzóis, outros sóis
ecos inumeráveis, culturas impenetráveis
dias magros e céus riscados

do mapa.

Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. Anchieta Rolim 28 de novembro de 2011 0:07

    Valeu Carito, muito bom!

  2. Danclads Andrade 27 de novembro de 2011 21:13

    Massa!!

  3. gustavo de castro 27 de novembro de 2011 19:48

    lindo.

  4. horácio oliveira 27 de novembro de 2011 17:15

    Bom demais!

  5. Jarbas Martins 27 de novembro de 2011 16:42

    P O E T A !!!

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