O esporte do Brasil

O Brasil tem um esporte permanente e vários esportes de ocasião. Lembra do Tênis? Maria Esther Bueno ganhou o torneio internacional de Wimbledon e vários outros dos mais de sessenta torneios internacionais que disputou. O Tênis foi assunto de muita festa nos fins dos anos Cinquenta. Depois, entrou no limbo. Quatro décadas depois de Maria Esther, surge Guga. O Tênis virou febre. Uma quadra em cada canto. Guga não deixou sucessor e o esporte foi recolhido ao esquecimento. O mesmo com o Boxe. Éder Jofre campeão mundial de peso galo. Pronto, todo mundo treinando Boxe. Até no Ginásio de Caicó transformaram uma pequena quadra cimentada, na saída da enfermaria, em ringue do esporte dos murros. O treinador era um rapaz chamado Zé Maria que ensinava aos internos a técnica de por luvas e bater corretamente. Só que as luvas eram escassas e amarravam as mãos com gazes. Cadê o Boxe? O Voleibol, após o sucesso do Brasil nos torneios mundiais, virou coqueluche. Quadra e rede em todo canto. Sumiu. E assim foi com o basquete. Agora, num passe de mágica, viramos surfistas. O sucesso merecido e belo do Brasil e Rio Grande do Norte nesse torneio de surfe produziu algumas pérolas. Uma delas ouvi da Globo. Sempre Ela. “O Brasil agora é a pátria do Surfe”. Me pelo de medo. Como fazer para juntar água pro surfe no Seridó e Oeste? Quantos carros-pipas serão suficientes pra fazer uma onda? O esporte do Brasil foi, é e sempre será o futebol. Quatro moleques, dois pares de chinelos e uma bola-de-meia fazem uma pelada. Pode não ser tão belo, mas o resto é bonito e passageiro.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. françois silvestre 18 de maio de 2015 18:19

    Verdade, Danclads. Esqueci do MMA. Dos sete a um, não. Lembro como prova da sacanagem que se tem feito com o nosso futebol.

  2. Danclads LIns de Andrade 18 de maio de 2015 14:12

    Não se esqueça, mestre François, do MMA (quando escuto esta sigla só me lembro das aulas de matemática: MMC e MDC) e do UFC tão em voga de uns anos para cá.

    Mas, realmente, sabe-se que, desde os tempos de Friedenreich, o Brasil (não importa quantos 7×1 teremos pelo caminho) é o país do futebol.

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