Estética não combina com ética?

Marcos Cavalcanti:

O seu texto é bom, apesar de, mais uma vez, comportar equívocos graves.

A coisa mais clara do mundo é: os movimentos do mal se apropriam, quase sempre, de algum elemento estético, místico, para seduzirem seguidores. Só isso. Toda a discussão, depois deturpada,foi inaugurada com essa única premissa. Será que isso ainda não ficou claro? Puxa vida, estou começando a ficar triste…

Sou um grande apreciador de Wagner (“Tristan und Isolde”, “Tannhäuser”, “Der Ring des Nibelungen”, etc.). Sou um leitor de Nietzsche, já há algum tempo. Bem, a música de Wagner e as ideias de Nietzsche estiveram dentre as admirações e predileções de Hitler. E, nem por isso, sinto-me um seguidor do Nazismo.

Será que esse pensamento não fica claro nunca?

Digo mais: sou um apaixonado pelo sertão (de onde vieram todos os meus ascendentes), principalmente do sertão do Seridó. Adoro a estética do vaqueiro. Meu livro de paixão é a fala do Jagunço Riobaldo.

Nem por isso, sou um admirador do bandido Lampião, nem de bandidagem nenhuma.

Concordo com você que estética não é moralidade. Mas, puxa vida, não dá para combinar nunca ética e estética?

De qualquer sorte, sou honesto, modéstia à parte, e gostei do que você escreveu desta vez.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Marcos Cavalcanti 28 de novembro de 2010 14:37

    Caro Lívio, fiquei curioso para saber “mais uma vez” dos equívocos graves do meu texto. Poeta, a mim me parece que a discussão sobre uma estética do cangaço, nada tem a ver com gostar ou não gostar de Lampião(como vc insiste em fazer), admirar ou execrar o Virgo(u)lino; tão pouco tem a ver com apoiar ou não apoiar o cangaço (até dá a impressão de quem estuda o tema com interesse histórico, faz apologia ao crime, à violência – não tem nem cabimento).
    Quanto aos movimentos que citei, parece óbvio que muitos incorporam símbolos pré-existentes para compor suas estéticas e alguns deles os criam, mas são poucos os símbolos que em si mesmos, em sua materialidade, nasceram já associados ao mal (símbolos do satanismo, etcteraetal).
    Já que vc não disse o que exatamente gostou no meu texto, fiquei imaginando que pode ter sido em relação a alguma coisa do que disse, que quer tratar da estética (seus elementos constitutivos) até então, fora de suas observações e de outros. Seja como for, a questão, parece continuar em aberto. Todo debate com respeito é fonte de crescimento.

  2. Lívio Oliveira 28 de novembro de 2010 12:07

    Só um detalhe: o texto de que falo é o postado abaixo por Marcos Cavalcanti. Desculpem-me pela falta.

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