Estranha descolonização

Vendo o que acontece nos salões de artes do mundo, a impressão que tenho é que existe uma certa competição para saber quem produz a performance mais chocante. Pedaços de corpos humanos, porcos tatuados, excrementos, cães amarrados para morrer de fome…

Outro dia, o crítico de arte Luciano Trigo alinhou em seu blog (aqui) algumas dessas “obras”, por ele qualificada como extravagantes. Vale a pena conferir (post do dia 16 de fevereiro).

Lá está escrito: “Em 1989, o artista americano Andrés Serrano expôs a obra “Piss Christ”, a fotografia de um crucifixo mergulhado na urina do artista. O escândalo se agravou pelo fato de a exposição ter sido patrocinada em parte pelo Governo americano, o que gerou mais protestos. Serrano se defendeu recorrendo ao argumento da liberdade artística”.

Então, a performance do artista Pedro Costa não é novidade. Por isso, não me senti chocado ou incomodado. Também não me abalaria de casa para assistir um espetáculo dessa natureza ou similar.

Acho curiosa a explicação que geralmente os artistas dão para esse tipo de trabalho. No caso de Pedro Costa, vale a pena lembrar: “a descolonização do corpo através da excretação do terço, um dos símbolos do domínio colonialista. E, ao mesmo tempo, expurgar a interdição católica sobre o prazer anal e afirmar o prazer da sodomia”.

Essa segunda parte da explicação até faz sentido, mas a primeira, sobre a descolonização, é uma viagem e tanto. Faltou o artista fazer a ligação entre cólon e descolonização, para a explicação ficar mais completa.

Imagine o que se terá de tirar do ânus de agora por diante para, enfim, se chegar a tal descolonização.

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