Estranha Solidão

Por Angélica Braga

Às vezes sinto que estou à procura de algo que justifique a dor que rasga o meu peito, enaltecendo a tristeza que insiste em permanecer viva dentro de mim. Tudo em vão… Não sei quem sou; de onde vim; nem para onde vou… E diante da redoma que insiste em envolver-me, deixando um largo espaço entre o meu eu e o mundo onde vivo, prefiro os meus livros, pois me levam muito além das palavras escritas por alguém que nunca vi, nem tão pouco convivi. Estes me levam a andar por ruas que nunca andei; ver guerras que nem imaginei; sentir a brisa leve no rosto vinda de areias e mares a esparramar os cabelos loiros que nunca sonhei em ter; brincar com a neve, fazer bonecos ou até mesmo ser vítima de uma avalanche enquanto aqui faz tanto calor. Assim vejo o orvalho, pela manhã, derramado sobre as mais belas flores das quais nunca apreciei, as folhas caindo abundantemente, evidentemente eram elementos da tão falada estação: outono. Aquela que nos remete ao amor… Minha cabeça, meu passaporte. Leva-me a conhecer lugares obscuros em uma rapidez de minutos. Fazendo esquecer quem de fato, sou. E quem sou? Por não saber, prefiro continuar viajando, sentindo a doce emoção de voar com asas ou, mesmo, com os pés no chão; pairando pelo ar sem saber, ao certo onde pousar. Antes, ficava completamente submersa por minhas lágrimas amparadas em meu travesseiro. Hoje, prefiro ver a vida pelos olhos que passam por linhas e entre linhas, esvaziando-me das desilusões, mágoas e rancores deixados por pessoas que o vento, ainda bem, tratou de levar… Pessoas… Ah, as pessoas, ainda não consegui desvendar tal complexidade… Algumas andam dias após dias em busca de algo para satisfação pessoal, caminhada renhida, alvo incerto. Chegando ao mais alto da colina, olham para baixo e esquecem a dura escalada, porém vêem os que lá estão em baixo e propendem a dar os pés, ao invés das mãos… Esquecem o raciocínio lógico que as mãos levantam já os pés afundam… Prepotência, arrogância; sinônimos da tal busca da satisfação pessoal, não inclui o ponto de partida, pois este se foi e não é mais lembrado. Logo, o verbo “ter” passa a ser pronúncia predileta nas rodas de conversas. Estilhaçando os sentimentos daqueles que preferiram eximir-se do “ter” e preocuparam-se com o “ser”. Dentre tantas coisas vem até mim a perplexidade diante do que é tido como humano, e quando então é chegada à hora de escolher, abro mão mais uma vez das pessoas e recorro aos meus grandes amigos, pois não falam muitas vezes o favorável e lícito, porém me trazem o conforto. A busca incansável do desconhecido se torna enfadonha, por que de tanto procurar me perco no interior de todas as confusões. São tantos por quês, pra quês… Esta busca incessante avassala a minha mente aflorando àquela que insiste em me perseguir… Estranha Solidão.

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