Eternamente Deífilo

Por Carlos Gurgel
Foto: Giovanni Sergio

Papai sempre foi uma árvore. Frondosa, como uma sombra sábia e educada. Papai sempre se vestiu de paz e da alma do povo. Através do qual, produziu, por sobre milhares de revelações e descobertas, uma intensa luz, límpida e audaz, onde construiu seus castelos e abençoadas fontes.

Por onde andou, como um mártir de muitas estradas, buscou sempre o humilde, o raro, o inquebrantável canto de todos aqueles que fazem parte de uma enorme constelação, repleta de vida e anunciações.

Com seus olhos, percebeu que o mundo, assim como seus dias e suas noites, era como uma armadura, um farol, um porto, repleto de relíquias e reinados.

Foi assim, por um bom tempo, que palmilhou nosso chão, como um missionário espalhando seu suor e sorrisos. Um incansável, sempre, protegendo o desejo de todos aqueles recantos, quando se benzia e enfrenta o escuro e os seus dragões.

O amor de papai para tudo que reluz essência, raiz de uma gente, sempre fez dele um guerreiro, um solitário batalhador de loas, brincantes, romances, rezas, promessas e dos anônimos de uma roça onde se dança cheganças, e de pífanos que anunciam a disputa da celebração do amor e da amizade.

Com papai, todos esses caminhos foram trilhados. E como uma jura, ele fez do brilho das suas visitas e apontamentos, no meio das comunidades e sertões, o seu maior prêmio.

Humano ao extremo, uma criança tão dócil, que, ao primeiro encontro, já conquistava todos como se fosse uma grande confraternização do tempo e de tudo que lembra alegria e bondade.

Assim foi papai. Imenso no seu caráter. Um ser que vai fazer tanta falta, que nem imagino o que possa acontecer, quando o vento e os seus faróis, prenunciarem que a cidade e o seu povo, clamam por suas sandálias e seus garimpos.

Eu, como filho primogênito, ao invés de derramar lágrimas, sorrio; porque sei que lá do infinito céu onde papai se encontra, a folia que ele capitaneará, farão de todos os presentes, uma enorme chama, como deve ser para um homem que sempre procurou pelas palavras, como quem garimpa o ouro e o espírito de todo aquele que crê.

Pois tudo que ele pronunciou e criou, alimenta o coração do povo que ele tanto amou e entregou sua vida.

Amo-te muito, muito mais do que o tempo disser.

Comentários

Há 7 comentários para esta postagem
  1. Carlos Gurgel 7 de fevereiro de 2012 19:39

    agradecido. obrigado mesmo a voces
    Carlos Gurgel

  2. João Batista de Morais Neto 7 de fevereiro de 2012 17:23

    O professor Deífilo era ótima pessoa. Tive o prazer de ter algumas conversas boas com ele. Fiz amizade com seu filho Fernando, artista plástico, ainda na década de 70. Depois também fiquei amigo de Carlos nas ondas legais das produções culturais da cidade saudosamente provinciana. Por isso, sou solidário aqui aos seus filhos, meus amigos, e a família. Meu abraço, Gurgel.

  3. Anchieta Rolim 7 de fevereiro de 2012 13:24

    Exatamente Carlos, seu pai era um grande homem e um grande amigo, falo isso em nome de todos os Areiabranquenses que com certeza sentirão muito a sua falta. E viva o eterno Deífilo Gurgel!

  4. Gustavo de Castro 7 de fevereiro de 2012 11:27

    Carlos, seu poema-depoimento nos anuncia: Deífilo não morreu. Ele apenas acabou de renascer. Tenha certeza: os seus caminhos não se perderão.

  5. edjane linhares 7 de fevereiro de 2012 11:06

    Um abraço em você e Lucas, estendido a todos da família.

  6. Ednar Andrade 7 de fevereiro de 2012 10:40

    .Olharemos então, para o infinito…E contemplaremos numa estrela a sua luz.

    ( * )

    Carlos,ABRAÇO.

  7. Marcos Silva 7 de fevereiro de 2012 10:28

    Carlos:

    Obrigado.

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